Odoleber

Sigo aproveitando os parágrafos misteriosos do papismo para explicitar algumas questões que creio ser de interesse geral. Mas não consigo ignorar o fato de que este intelectual quase anônimo (deve estar adorando os cinco minutos, ou capítulos, de glória que lhe estou oferecendo de graça, antes que volte ao lugar que sempre ocupou na lírica internacional, especialmente a da Bulgária) pareça fascinado pelo “trabalho coletivo”… Na sua estranha forma de se comunicar, Papa diz que o Theatro Municipal (sic) é um trabalho  coletivo. Meu querido amigo, deixe-me aclarar uma coisa: o mundo é coletivo. Não sei como você define o seu trabalho na ópera grossa – ops, desculpe, curta, mas não será tampouco o bloco do eu sozinho, não é? O resto do seu parágrafo, sinto muito, mas não entendi…

O Diretor Artístico do Theatro Municipal  efetivamente não tem nada a ver com os processos de contratação dos artistas que convida para participar das temporadas lírica e sinfônica. A contratação e os pagamentos relativos competem ao Instituo Brasileiro de Gestão Cultural, OS, entidade privada que tem um contrato com a Prefeitura de São Paulo exatamente para gerir  o Theatro em todas as suas áreas e atividades. O Diretor Artístico, que jamais assina  cheques, apresenta um orçamento  e este orçamento é aceito ou não pela administração. Se for aceito, o departamento artístico tem que se ater a esse orçamento a ferro e fogo. Foi exatamente o que foi feito. Até o final da temporada de 2015 os orçamentos para a produção artística foram rigorosamente e comprovadamente respeitados  (na verdade gastou-se até um pouco menos do que se poderia nas produções realizadas). Para 2016 já está orçada a temporada, com garantias de que poderá ser realizada com o orçamento previsto.

Portanto, a Direção Artística, como bem lembra Cleber, sabe exatamente o quanto gasta, tem uma equipe competente que administra, produz, ensaia etc, e o público, as publicações e os números da bilheteria atestam se o trabalho teve êxito ou não. Não há muita discussão- o resultado está no palco e no fosso. E aí, meu caro, gosto não se discute. Mais: em 2015, a Direção Artística , ao ser informada das dificuldades de caixa, e sendo obrigada a cancelar ou adiar produções,  sem entender direito a razão da penúria, apressou-se em comunicar às instâncias superiores, chegando até o Prefeito da Cidade, que algo  estranho estava acontecendo na administração, uma vez que a realidade não batia com as contas. E foi a partir do Gabinete do Prefeito que teve início uma investigação pelo Ministério Público. O que aconteceu a partir daí, ficamos todos sabendo pelos jornais.

Nunca houve problemas de vaidade ou imposições de caprichos egóicos na direção artística do Theatro Municipal. Houve, sim, e sempre, princípios de qualidade a serem seguidos e exigências de disciplina artístico-administrativa a serem respeitadas. Quando isso não ocorreu, surgiram dificuldades que levantaram as suspeitas a que me referi.

“Aqueles que além de provocação e controvérsia criativa, atuam com austeridade e rígido controle orçamentário, em situações de crise econômica, social e politica e, produzindo como nunca, sabendo que ampliar a ação cultural é desejável e necessário quando as ameaças à sociedade são visíveis. ”  Não estará faltando um final para essa frase, Cleber? Aqueles que… o que? Você se esqueceu de terminar o pensamento, ou ficou perplexo consigo mesmo ao citar “ameaças visíveis à sociedade” quando essas ameaças não estão visíveis a não ser para você e seus companheiros carbonários?

“Temos que gritar no meio da arena: “Estamos no século 21”!”
Por que essa súbita gritaria, Cleber? Aliás esse deveria ser o seu grito de guerra quando você incendiava o Pará de modernidade !  Deve ter deixado muitos fã inconsoláveis à beira do Rio Negro…O que o século XXI tem  a ver com Theatro Muncipal, ao menos no contexto em que estamos dicutindo? Transparência e ética não são apanágio do século XXI, mas norte para pessoas sérias. Mas deixa isso para lá… Infelizmente é, sim, possível imaginar que pessoas  como o Papa “não sejam sérias ou capazes de investigar e relatar corretamente ” (sic) o que descobriram. Se o Theatro não fosse ético e sério, se fôssemos coniventes com maracutaia, você, Cleber, não estaria lendo as notícias a que se refere nos jornais.

O Ministério Público, no entanto, certamente é sério e capaz de descobrir e relatar exatamente o que aconteceu na administração da Fundação Theatro Municipal e apontar os erros e os responsáveis pelos mesmos. A verdade certamente virá à tona. O tempo da justiça, entretanto, não é o tempo dos blogueiros oportunistas que adoram ver o circo pegar fogo para vender o seu balde de água.

Tenho o irrefreável impulso de comparar o meu involuntário debatedor com um famoso personagem de uma novela muito popular, que se passava em uma cidade imaginária – Sucupira.  Não me lembro bem é do nome do personagem na novela: Odoleber Paraguapapa, não era mesmo esse o seu nome?

 

 

 

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