Blog da Comissão dos Músicos da OSB

Comissão de Músicos da OSB

 

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Prezado Assinante, prezado espectador, caro amigo da OSB.

A Orquestra Sinfônica Brasileira comemorou em 2010 seus 70 anos de
existência. Ano passado, tocamos cerca de cem concertos – numero muito
expressivo – que foram vistos por 190 mil espectadores. A temporada teve
caráter de celebração, revivendo grandes momentos destas sete décadas
de trabalho. Não há dúvida de que a OSB é a orquestra mais tradicional do
país, com uma história de grandes estréias mundiais e no Brasil de obras-chave,
responsável pela revelação de talentos (Nelson Freire, Cristina Ortiz e Antonio Meneses, por exemplo) e pela presença no país dos maiores nomes do planeta como seus convidados.

Logo após o inicio das férias da Orquestra, todos os seus músicos foram
surpreendidos por uma convocação para prestarem uma prova de avaliação do
seu potencial artístico. Isso é inusitado. Nenhuma orquestra do mundo exige tal prova.
Criou-se assim um grande impasse na Fundação – como muitos dos senhores e senhoras já
sabem, porque foi veiculado pela imprensa. Há profundo desacordo sobre os
critérios e a exigência inédita desta prova, de “avaliação de desempenho”.
Todos somos avaliados diariamente. Todos fizemos prova para ingresso na OSB.
Não há porque “avaliar” o que está todo dia sendo avaliado.

Agora, falamos de um desrespeito ao público.
A Fundação, querendo se precaver, decidiu colocar no palco a OSB Jovem
abrindo a nova temporada e atuando como único grupo sinfônico no primeiro
semestre da programação de 2011, sem nenhuma justificativa, tanto para os seus
assinantes quanto para os seus músicos profissionais.

Pela primeira vez na história desta tradicional instituição, percebemos um
desvio grave dos seus princípios. A Fundação OSB, erigida com o compromisso
estatutário de manter uma orquestra sinfônica, vê sua governança infringir
esta norma, acenando para seus músicos contratados com programa de demissão
voluntária, sem a solução ética da boa gestão que premia seus antigos e
fiéis funcionários.

Estamos diante de graves problemas trabalhistas e da triste situação da
busca de soluções externas para atingir algum equilíbrio entre as partes.
Estamos entristecidos com a utilização indevida dos jovens músicos, com o
desrespeito na desinformação dos assinantes, com o descaso para com os
músicos profissionais – aqueles que imprimiram a marca, a personalidade, a
característica única desta instituição, fundada e alimentada pelos sonhos
dos músicos e pela prestigiosa presença das senhoras e dos senhores em
nossos concertos. Estamos, enfim, nos mobilizando.

A partir de hoje, convidamos os assinantes e o público em geral a acompanhar
também por esse espaço as questões que colocaremos, como interessados de
primeira hora na qualidade e na excelência da programação da OSB, assim como
na manutenção deste grupo de artistas em sua melhor performance possível.
Uma orquestra sinfônica é um organismo singular: vivo, mobilizador,
poderoso, feito por seus artistas reunidos em prol de um objetivo comum: a
música em sua grandeza.

No momento o blog ainda não está aberto para comentários, mas em breve poderemos administrar também essa interatividade. Nosso e-mail de contato: cmosb@hotmail.com
Sugerimos que os amigos compartilhem o endereço nas redes sociais como facebook e orkut.
Daremos mais noticias muito em breve.
Postado por CMOSB
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9 respostas para Blog da Comissão dos Músicos da OSB

  1. Sos-OSB disse:

    Parabéns, músicos pela iniciativa. É de causar indignação esta confusão na OSB.
    Imagino que os músicos estejam se sentindo humilhados com a notícia de que serão substituídos na temporada por uma orquestra de alunos.
    Guardadas as devidas diferenças, este processo na economia se chama de “dumping”.
    Estão querendo acabar com a OSB profissional? Por causa da vaidade de um maestro?
    Por outro lado, fico pensando que tipo de maestro é ele, que insiste em continuar à frente de uma orquestra que não o quer. Será que ele tem sangue de barata? Será que o mercado da música está assim difícil?
    O diretor da orquestra, o tal filho do famoso maestro, não está fazendo justiça ao nome do pai. Todo esse desrespeito com os músicos deve fazer o velho Eleazar de Carvalho revirar na cova.

  2. Ana Helena F. Machado disse:

    Nunca entendi porque, há anos atrás, se fez tanto barulho por conta desse Minzuk. Falavam dele como se fosse o um Dudamel das orquestras. Fiquei tão decepcionada quando o vi na primeira vez que ele regeu a OSB. Voltei algumas vezes, e para mim, ele sempre foi um pavão no palco. E um pavão baixinho, ainda por cima, afetado, dando pulinhos, com interpretações tão óbvias…
    Agora que o Rio vai sediar a Olimpíadas, o Eduardo Paes podia contratar um jovem maestro, com uma vida artística importante no exterior, alguém famoso de verdade.
    Pena que nossos políticos não entendam nada de arte.

  3. samuel lira correa disse:

    Hoje entrei na wikipedia para uma consulta a respeito da Orquestra Sinfonica Brasileira, onde li uma breve história da orquestra. Onde pude comparar a verba da Educação ==+- 40 bilhoes e cultura 1 bilhão + ( referencias anos 2008 e 2009).

  4. SoS osb (jovem) disse:

    Realmente o momento é crítico no cenário cultural carioca, todo esse caos acontecendo e ainda cai tudo pra cima dos jovens.

    A OSB jovem é para ser um projeto de formação de caráter e disciplina e não uma “tapa buraco” oficial da FOSB.
    A OSB jovem no ano passado fez de tudo: concertos populares, rio Foulle Journée, concerto em homenagem aos quadros “Guerra e paz” de Portinari, concertos na UERJ e muito mais , agora iremos ser submetidos a uma rotina pesada de concertos substituindo uma orquestra profissional nesse primeiro semestre.

    Ano passado no quesito artístico sofremos muito, tendo que cumprir alguns repertórios com pouquissimo tempo de ensaio e as vezes sem ensaios de naipe(por exemplo, fizemos a sinfonia inteira de Franck em apenas 3 ensaios, resultando num concerto muito ruim no teatro Carlos Gomes .)

    Isso tudo sem falar dos descontos frequentes na nossa “bolsa-auxilio” devido a faltas e até mesmo a atrasos.Segundo eles o desconto somente é feito caso a falta não seja justificada, porém no período da “guerra no rio” colegas nossos tiveram que faltar pois haviam ônibus pegando fogo em frente a casa deles, e mesmo assim foram descontados em até 150 reais da bolsa.(que atualmente é de 1000 reais)

    É uma pena pois há realmente músicos muito talentosos naquela orquestra e os monitores sempre estão dispostos a ajudar, porém devido a uma pobre e burra admnistração, a orquestra foi frequentemente submetida a esse tipo de assédio resultando em descontentamento geral dos jovens músicos.

    Espero o melhor para nós e que essa nuvem negra sobre o rio, passe mais rapido.
    abraços

  5. Mr. Fagoteiro disse:

    Acho que temos que pensar um pouco e refletir. A quanto tempo os músicos da OSB estam sentados lá com a vida “mansa”? Acho justo fazer uma audição interna, afinal o nivel dos músicos podem evoluir como tambem regredir. Quanto ao publico concordo, é uma falta de respeito, afinal o assinante é o “consumidor” da orquestra, e ele tem seus direitos como “consumidor”.

  6. Robson disse:

    Eu sou favorável a que aja audições. Os músicos da OSB o fizeram para ingressar na orquestra e o fazem diariamente nos ensaios e concertos, mostrando sua qualidade e talento. Quando foi que o regente da orquestra o fez? Se a direção esta tão desejosa de uma “avaliação de desempenho”, deveria iniciar justamente pelo regente.

  7. Paulo Carvalho disse:

    É lastimável vermos tudo isso acontecer, aonde já existe pouco investimento na chamada música clássica. Sugiro procurar os patrocinadores. Eles não devem estar satisfeitos com um maestro que tenha este tipo de atitude e acaba por queimar o filme deles tb. Tá na hora do 01 pedir pra sair.

  8. Angelo Heleodoro disse:

    SOBRE LÍDERES, EQUIPES, REGENTES E ORQUESTRAS

    A PRÁTICA DA ARTE VERDADEIRA É UM PRAZER QUE NÃO SE PODE OBTER PELA FORÇA. “Se um regente conhece a psicologia complicada do músico de orquestra e sabe demonstrar-lhe sua confiança, terá ganho muitíssimo. Se não se preocupa com esse importante aspecto de seu trabalho, dificilmente conseguirá o resultado pretendido”. De fato, é dificílimo penetrar a mentalidade específica, amiúde suscetível, do músico de orquestra. Parece-nos incrível que o Maestro Minczuck, que já foi músico de bancada, tenha negligenciado essa verdade. Por isso, na Orquestra Sinfônica Brasileira e, devido à repercussão do caso, em muitas outras pelo mundo, o Maestro Minczuk NÃO INSPIRARÁ MAIS NENHUMA CONFIANÇA. Como poderá então, a partir de agora, realizar o anseio maior de qualquer líder (regente) que é o de obter o melhor desempenho da equipe (orquestra) que dirige? Quem tenta fazer Arte à força só o que consegue é tornar evidente sua situação de inferioridade.

    Angelo Heleodoro
    Ex diretor artístico e regente da Orquestra Sinfônica Mineira – OSM.
    Não se trata da Orquestra Sinfônica de Minas Gerais, uma orquestra profissional. A OSM congregava músicos amadores e profissionais, tocando por amor à Arte e que, através de concertos públicos, praticava a filantropia. Seus músicos nada recebiam por sua participação, exceto o prazer de praticar sua Arte num ambiente de Cooperação, Amizade e Confiança.

  9. Angelo Heleodoro disse:

    PELA RENÚNCIA DOS DIRIGENTES DA FOSB POR INCÚRIA

    Anteriormente, no início da crise instaurada na OSB, opinei sobre a insensatez do Maestro Minczuck (ver comentário acima – dia 31/03) . Agora a crise assumiu proporções colossais e vale analisar a questão de um ponto de vista estritamente técnico. O melhor de qualquer ser humano reside em seu coração (é claro, no sentido metafórico), pois é nele que se encontram o melhor da sua criatividade, lealdade, energia e a verdadeira Fé. Assim, se o que se deseja é o melhor de uma pessoa, é preciso, antes de mais nada, cativar seu coração. Aliás, diziam os antigos, “Mais vale um grama de lealdade que um quilo de inteligência ou competência”. Sábias palavras. Gente leal nunca “puxa o tapete” ou dá “boladas nas costas” de seus líderes/comandantes/chefes. Já o desleal inteligente e competente poderá fazer isso em grande estilo, apurada técnica e bem ligeiro. Quando o traído perceber, já poderá estar indo à lona ou à bancarrota. Só há uma maneira de cativar o coração: sendo verdadeiro. O oposto é ser dissimulado. Aliás, quem finge sinceridade é facilmente percebido como dissimulado pelas pessoas minimamente vividas e o resultado da tentativa de cativar esboroará em desconfiança, o maior veneno de todas as relações. Torna-se evidente a gênese do mundo sombrio em que se transformou a OSB para mais da metade de seus músicos e de grande parte do público: postura dissimulada mais atitudes e ações equivocadas de seus atuais dirigentes.

    INVENTANDO FUTURO – As visões do futuro para as instituições e povos emanam de seus líderes/dirigentes. No entanto, para que se concretizem, essas visões precisam ser comunicadas/compartilhadas com sua comunidade, com suas equipes. Aliás, bons líderes estão sempre dialogando com seus liderados. Dessa comunicação/compartilhamento surge o ACORDO SOBRE DIRECIONAMENTO. E é esse acordo a força poderosa, capaz de transformar em realidades as visões do futuro. Os faraós elaboraram a visão das Pirâmides, mas quem as construiu foi o povo egípcio, motivado por um acordo sobre direcionamento, no caso fundamentado em bases religiosas.
    Se os gestores da FOSB pretendiam elaborar um visão para o futuro da OSB, deviam ter escutado sua principal equipe, a orquestra, compartilhando essa visão e chegando a um acordo sobre direcionamento. Esse procedimento básico de qualquer liderança medianamente preparada não foi levado em conta e os resultados estão aí. Gestores de qualquer instituição precisam ter em mente que mais importante que a VELOCIDADE é a DIREÇÃO. Velocidade é uma tática que deve permanecer a serviço da estratégia. Não haveria crise alguma, e certamente estaríamos aplaudindo o aperfeiçoamento da OSB, se, previamente, tivessem sido escutados os músicos da OSB e a comunidade. A OSB estaria na direção correta, numa velocidade adequada e sem o desgaste e o esperdício de energia causados pelo despreparo e precipitação de seus dirigentes. As empresas de ponta primam pela melhoria contínua de seu clima organizacional e das condições de trabalho de seus integrantes, inclusive para atrair os melhores profissionais. No sombrio mundo de desconfianças instaurado na OSB só podem prosperar a incerteza, a mágoa, o ódio e as retaliações. O que poderia ser pior para qualquer instituição?
    Menosprezaram a inteligência e a capacidade de mobilização de seus músicos e o resultado está aí: desmoralização (vide Maestro Marlos Nobre: http://www.dihitt.com.br/n/arte-cultura/2011/04/15/marlos-nobre-se-dirige-a-roberto-minczuck) e humilhação (vide reação da Orquestra Jovem: http://www.blogintellectus.com.br/historia/index.php/2011/04/a-osb-nao-tem-outra-saida-senao-demitir-o-maestro-roberto-minczuk/) do Maestro Minczuck, e vários focos de cizânia e rotas de colisão: músicos x dirigentes da OSB, OSB x sindicato, platéia x platéia, etc. Se os gestores da FOSB têm/tinham uma visão para o futuro da OSB, certamente não era o que estamos testemunhando. Então, precisam ter a humildade de reconhecer que cometeram grave incúria ou erro de gestão e renunciarem todos, em prol do bem maior que é o progresso da instituição Orquestra Sinfônica Brasileira. Ou então, não sei se é estatutária ou juridicamente possível, serem banidos da FOSB por terem sido, nesse caso, inconsequentes, ou seja, terem incorrido nessa empresa de desfecho incerto que é a arriscadíssima e perigosa GESTÃO TEMERÁRIA.

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