Mais quatro pílulas

As novas que chegam do “front” portenho não são nada alvissareiras. O recesso estivo, ao que parece, não serviu para acalmar os ânimos dos litigantes, e o ano novo começa com escaramuças anunciadas que põe em risco o início da temporada do coliseu argentino.

As orquestras do Teatro realizaram um concerto às portas do mesmo, do qual participaram mais de 25% dos trabalhadores da casa, e ameaçaram que, caso nao sejam anuladas as sanções aos trabalhadores suspensos, nada de temporada. A greve continua. Enquanto isso a “Furia del Baus” ensaia “Le Grand Macabre” de Ligety num teatro vazio. Que lástima para todos os envolvidos…

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E as novas que me chegam do “front” musical brasileiro são realmente novíssimas para mim.

É o que penso quando leio a imprensa carioca a respeito da contratação da regente  Marin Alsop.

Afirma o repórter do jornal “O Globo”  que a maestrina vem resolver o  “trauma deixado por John Neschling”. Eu pensei que eu havia deixado uma orquestra premiada, prestes a entrar no hall das grande orquestras mundiais e que trauma fosse ensaiar num restaurante, não ter sede, nem salários decentes. Mas agora aprendo que o que eu construí foi um “trauma”.  Soaria divertido não fosse desrespeitoso.

Mas a roda gira e eu não aguento mais falar desse assunto. Aliás, quem aguenta?

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Enquanto isso, no Teatro Municipal de São Paulo, anuncia-se a contratação de Abel Rocha como novo diretor artístico e regente da casa.

Abel é um músico sério que trabalha no ramo operístico há muito. Desejo-lhe boa sorte nesse terreno minadíssimo, que o deixem trabalhar livremente sem interferências nefastas e que consiga resgatar para a população paulistana um equipamento cultural tão importante para a vida da cidade.

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Já na Suiça, depois do concerto de Bolonha, preparo-me para próxima viagem, desta vez para reger a Orquestra Sinfônica da Galícia, em A Coruña. Pelo que dizem, trata-se de uma das melhores orquestras espanholas.

O programa inclui uma obra contemporânea de um compositor galego, Manuel Balboa, o primeiro concerto de Castelnuovo-Tedesco para violão e orquestra, e mais uma vez (juro que foi pedido dos organizadores) a bendita Quinta Sinfonia de Tchaikowsky. Esta, para mim,  cada vez que a rejo, fica melhor.

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6 respostas para Mais quatro pílulas

  1. Dinilson disse:

    A grande imprensa – infelizmente, não há outra – não o deixará em paz jamais. Você, Maestro, brigou com a(s) pessoa(s) errada(s). Não há perspectiva para o lançamento do disco de Respighi aqui? Embora a home page de Alsop não mencione sua nomeação (hoje dia 20/02) há uma nota na seção “news”, da Gramophone. Lá, Alsop diz estar impressionada com a qualidade da orquestra (sim, mas e o “trauma”?). A Gramophone lembra que a orquestra foi escolhida recentemente – ainda sob a regência de John Neschling – como uma da revelações mundiais. A nota informa que Marin Alsop renovou – até 2015 – seu contrato com Baltimore. Na nota, o nome de John Neschling não é mencionado e sim de Yan Pascall Tortellier. Cujo pai, era um excelente violoncelista. Há um poema de Eliot em que ele diz ser possível tomar decisões em um minuto que o minuto seguinte irá reverter. Mas dez semanas para a redenção… é demais!

  2. Mary-Helen TE disse:

    Posso estar errada, mas acho que a escolha de Alsop foi politicamente correta e não artisticamente desejável. Por ser uma maestrina, dará maior visibilidade à Osesp quando for para o exterior pois as maestrinas são tão poucas que sempre chamam a atenção dos críticos. Talvez daí a Osesp quando tocar novamente no Musikverein merecerá uma crítica em um dos 5 jornais de Viena. Quanto à Gramophone, fiquei chocada quando li a notícia e não haver uma única menção à Neschling. Como já comentei anteriormente, a notícia deve ter sido enviada pelo “correspondente” deles em São Paulo.

  3. Luana Rocha disse:

    Caro Maestro,
    Estou fazendo divulgação da ópera Carmen 3D que a Cinemark está trazendo com exclusividade para o Brasil em março e gostaria de lhe enviar mais informações. Também gostaria de lhe convidar para uma exibição prévia exclusiva. É a primeira ópera filmada em 3D, numa montagem da Royal Opera House, de Londres, legendada em português. Caso tenha interesse, é só entrar em contato pelo email luanarocha[arroba]belemcom.com.br

  4. maria josé disse:

    Uma coisa eu quero comentar aqui,pois acho muito importante!

    Nunca vi,durante a minha vida,que não é tão curta assim,um empreendimento que se preocupasse,com tanta frequência, em saber a opinião dos frequentadores e assinantes da Sala,do que OSESP,sob John Neschling.
    Todo ano,lá estavamos nós a responder a questionários do Ibope.
    Eu achava aquilo,fantástico!

    Como era importante a nossa satisfação!
    E quão pouco nós ligamos para isso,quando acabou….

    Era um empreendimento estatal..!!
    E a opinião do público era o que mais contava..!!
    Onde é que já se viu isso ,antes?

    Na Assembléia Legislativa?
    Na Câmara Municipal?
    Onde?

    Quando eu vejo isso e vejo o que aconteceu depois,desculpe,Maestro,voltar a falar no assunto,bate um desânimo tão grande,mas tão grande…..que olhe…sem palavras!
    Não sei por onde começar neste país,porque se começar,mandam você embora e contratam especialistas estrangeiros….inacreditável…!!!!!
    Coisa muito esquisita!

  5. Paulo disse:

    Sem dúvida, Abel é extremamente competente e qualificado. Porém, o problema no Municipal de SP é estrutural e até um James Levine seria menos que inútil. Se estiver errado, como minha língua com arroz e feijão com o maior prazer.

  6. Maestro.

    Ao que parece, o impasse no “Cólon” foi superado. Após ferrenho embate entre a administração do prefeito Mauricio Macri e os funcionários do ‘coliseo’ chegou-se a um acordo, e por fim vem a temporada de 2011, definida no site do teatro. Se o senhor já viu, o que achou?

    Fernando Colpas.

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