Bye Bye Brasil

A experiência que tive durante o ano de 2010 com o Barbeiro de Sevilha e a Companhia Brasileira de Ópera foi rica, estimulante, e também difícil o suficiente para que eu, por diversas vezes, pensasse em me afastar do projeto.
Ao chegar ao fim dessa grande aventura, depois de 89 récitas Brasil afora, resolvi que chegou o momento de me dissociar radicalmente do prosseguimento deste trabalho. No ano de 2011, a Companhia Brasileira de Ópera, se continuar existindo, não terá mais nada a ver comigo, tanto do ponto de vista administrativo – que, aliás, nunca foi responsabilidade minha – quanto do ponto de vista artístico.
Isto não quer dizer que meu sonho de contribuir de uma forma ativa com o panorama da vida lírica no Brasil tenha acabado. Sigo imaginando formas de produzir ópera de qualidade, com uma relação custo/benefício generosa e que empregue de forma constante e segura um grande número de artistas e técnicos na produção de títulos interessantes. Porém para isso, terei que esperar por novas oportunidades e estabelecer novas parcerias em termos estruturais para colocar em prática um trabalho conseqüente e de longo prazo.

Minha vida sempre foi marcada por ciclos bem definidos. Assim foi no meu longo período de estudos tanto aqui como na Europa, meus primeiros anos de inserção social, política e artística no Brasil, minha segunda e longa temporada européia, com passagens pelo Teatro Nacional de São Carlos de Lisboa, pelo Teatro de St. Gallen na Suíça, pelo Teatro Massimo de Palermo na Itália, pela minha atividade na Ópera de Viena, Bordeaux e outras tantas orquestras européias e americanas.
Um ciclo igualmente definido foi o que vivi no Brasil a partir de 1997, quando tive a oportunidade de iniciar a reestruturação da OSESP. Dediquei-me a esse projeto até 2009 e em seguida, subitamente confrontado com um inesperado vazio de trabalho, comecei a sonhar com o projeto da Companhia Nacional de Ópera. Inicialmente procurei alavancá-lo criando uma empresa privada para a sua viabilização. Beneficiando-me de meus contatos pessoais e do prestígio que pude angariar no meu trabalho ao longo dos anos, consegui estabelecer uma parceria privilegiada com o Ministério da Cultura, e, através deste, com duas grandes empresas estatais, que bancaram toda a primeira produção, com suas características especialíssimas de itinerância.
Sem sede e lutando constantemente contra a paralisante e insensível burocracia estatal, conseguimos chegar ao fim da temporada com sucesso. Porém o resultado não foi o que eu havia sonhado no início. As restrições e dificuldades executivas e de produção que enfrentei durante esta fase limitaram o resultado artístico e a nossa capacidade de criação, e, se a relação custo/benefício do projeto foi generosa e saudável, a relação esforço/resultado deixou muito a desejar. Não tenho dúvidas: da forma como o “Barbeiro de Sevilha” foi executado nessa primeira fase, a Companhia não terá condições de sobreviver dentro dos parâmetros de qualidade e eficiência que me propus ao idealizar o projeto. Uma Companhia de Ópera com as características que imaginei é ilusória se tiver que ser mantida pelo setor privado, da mesma forma como seria ilusório o Estado de São Paulo decidir privatizar a OSESP, renunciando ao seu dever de patrocinador e mantenedor principal da instituição.
O investimento num projeto desse porte é altíssimo e o retorno não pode ser medido em termos de lucro financeiro, como numa empresa privada. Além disso, a política de incentivos fiscais no Brasil não é adequada a esse tipo de empreendimento. É preciso parceiros institucionais que compreendam a magnitude, o alcance social e o conseqüente ganho a longo prazo. Imaginei que após o primeiro ano de atividades, a continuidade do projeto pudesse ser assegurada pela criação de uma estrutura estatal estável. Era esse o projeto que norteou a minha parceria com o Ministro Juca Ferreira. Nesse momento não há nenhuma segurança nem indicação de que o meu projeto seja ainda uma das prioridades na política cultural do novo Governo. No nosso País inexiste, infelizmente, uma prática que se possa definir como política cultural, e muito menos uma continuidade dessa prática.É por esta razão que decidi me dissociar da empresa criada para abrigar a Companhia de Ópera.Aos que me ajudaram (e foram muitos) o meu muito obrigado. Reitero o meu respeito e admiração pelos artistas, músicos, cantores, técnicos e demais colaboradores como Píer Francesco Maestrini, Joshua Held, Carlo Savi e Victor Hugo Toro sem os quais esse projeto não teria sido possível.

Numa reflexão mais ampla, toda essa discussão ganha outra dimensão: é bom saber que o Brasil encontra-se numa fase de bonança econômica, a euforia que encontro ao ler as declarações de nossos dirigentes, os indicadores econômicos, da construção civil, do aumento do nível de emprego e do consumo parecem nos embalar num presente confortável e num futuro de fartura. Fala-se com orgulho no aumento das aquisições da “linha branca”. Todos correm atrás de seus novos eletrodomésticos. Mas não percebo na sociedade um desejo paralelo de crescimento cultural. Nossos teatros estão fechados, e quando abrem, (e o teto não cai de novo) fala-se de quanto se gastou na sua restauração e pouco do que se fará dentro de seus muros. Conseguiu-se pacificar o Complexo do Alemão, mas obras monumentais como a Cidade da Música, que custaram mais do que dez anos de bom funcionamento da OSESP, continuam inacabadas e sem perspectivas. Equipamentos culturais líricos e musicais são usados como palcos de festa de fim ano e de conquista de campeonato de futebol, viram galeria de artes plásticas, e picadeiro de tudo quanto é tipo de entrega de prêmios.
Admiro a coragem de nos propormos a sediar a Copa das Confederações, a Copa do Mundo e as Olimpíadas, mas pergunto-me por que um país com essas pretensões é incapaz de ter um teatro de ópera decente? Por que continuamos a ignorar a cultura como um dos pilares do desenvolvimento econômico? O conceito de mercado muitas vezes não serve nem ajuda a definir as necessidades culturais de uma sociedade. Trazer Amy Whitehouse para o Brasil não significa nada em termos de política cultural do Estado. É apenas o mercado de entretenimento fazendo o seu papel.

Sinto que estou iniciando um novo ciclo em minha vida. Deixo o Brasil depois de quatorze anos de dedicação praticamente integral. Sei que atingi em grande parte os meus objetivos de dotar o País de uma grande orquestra sinfônica e de estimular em muita gente o pensamento e o desejo de criar instituições parecidas. Amo o Brasil profundamente e tenho uma esperança eterna (se bem que muitas vezes negra) de que o desenvolvimento econômico e social trará consigo o desenvolvimento cultural, tão necessário. Para mim, chegou a hora de mudar de ares de novo.
Parto para Europa, pela primeira vez, desde 1997, só com a passagem de ida. De lá continuaremos a conversar nesse blog, que em tão pouco tempo, já angariou suas centenas de fiéis seguidores.
Viajo tranqüilo e levo na bagagem o meu eterno sonho de desenvolver a vida lírica no Brasil sabendo que se ele tiver que acontecer, acontecerá.
A todos um bom 2011, com muita saúde, paz e boa música!
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38 respostas para Bye Bye Brasil

  1. Kelly disse:

    É com imensa tristeza que leio sua despedida dessas terras e da Companhia, porque de alguma forma, os seus sonhos representam nossa vontade.
    Não imagino hoje, outra pessoa que pudesse fazer funcionar essa engrenagem. Você é para mim, um exemplo de determinação e coragem.
    Na semana passada assistia a um programa na Cultura, onde se apresentaram alguns assistidos do projeto Guri.
    Perguntado sobre as emoções dessa experiência, um deles respondeu: “Toquei em um lugar que não imaginava (Sala São Paulo), com um dos maiores regentes, em uma experiência inesquecível”. Seu nome e sua foto apareceram em seguida.
    Umas lágrimas correram, pela lembrança da orfandade recente da Osesp.
    Outras, porque o reconhecimento do seu legado está no próprio legado, mas é confortante que também esteja na memória das pessoas cuja vida você influenciou e influencia.
    A música erudita na capital paulista e no Brasil, é melhor por sua causa. Obrigada por isso.
    Você, um dos maiores “culpados” pela música em minha vida, sempre terá meu respeito, meu carinho e apoio.
    Que essa nova empreitada traga bons frutos e que a despedida seja mais um “até breve” que um “adeus”.

    Um forte abraço
    Kelly Ceolin

  2. Maestro,
    O Sr. vai fazer muita falta – espero que, em um futuro próximo, a Companhia Brasileira de Ópera esteja de volta, com as condições adequadas, para que o Sr. possa continuar a desenvolver os seus exitosos projetos.
    Muito sucesso, saúde e paz.
    Um cordial abraço,
    Helder

  3. Martin Muehle disse:

    Caro Maestro,

    leio sua carta de despedida com bastante tristeza, ainda que sem surpresa…Acho que posso falar em nome dos colegas cantores e dizer que viver da música DIGNAMENTE é um sonho que acalentamos todos. E de preferência no país que tanto amamos! Isso não tem se mostrado possível, infelizmente. É salve-se quem puder mesmo. Lhe desejo sucesso na Europa. Seguramente nos veremos por lá!
    Um grande abraço,
    Martin Muehle

  4. Que triste,maestro!
    Que perda para o país!

  5. Michel de Souza disse:

    Caro Maestro,
    E com muita tristeza que leio essa carta de despedida. Morando na europa ha dois anos e meio, me lembro bem do dia em que li sobre a Companhia Brasileira de Opera e me enchi de esperança, como outros colegas também o fizeram, de um dia poder voltar ao Brasil e ter a oportunidade de viver trabalhando como cantor de opera. Acompanhei as noticias sobre as recitas on line e agora confesso que me sinto profundamente frustrado e triste.

    O nosso pais perde mais uma vez.

    Saude e sucesso. Um grande abraço.

    Michel.

  6. Max Costa disse:

    Lamentável. O senhor está sendo praticamente expulso de nosso país por nossa completa ingerência político-cultural. Lamento demais. Eu que, como cantor lírico, ainda tinha esperança de participar dos futuros projetos da CBO, vejo que sem este pilar, o projeto, muito provavelmente não irá vingar pelos motivos que o senhor mesmo expôs.
    É deprimente.
    Nossa luta, porém, continua por aqui.
    Tenho feito parte das montagens da 1ª temporada do Theatro São Pedro e ponho muita fé que este projeto ainda será uma das companhias estáveis do país.
    Tudo o que posso fazer é me empenhar em manter o nível estético elevado.
    Desejo sucesso ao senhor nesta nova fase.

  7. Caro Maestro,

    Foi com grande pesar que li seu post de despedida, e é inevitável lembrar que foi o sr. quem me proporcionou uma das minhas primeiras grandes oportunidades de trabalho junto a uma orquestra de primeira linha, a OSESP. Eu tinha 21 anos quando isto aconteceu, e seus conselhos de então estão gravados em minha mente, principalmente o de acreditar e investir em mim com convicção. Comecei a meditar por recomendação sua! (risos) Muito obrigada por ter acreditado no meu talento, isto foi crucial na minha carreira.
    Faço votos de enorme sucesso em sua nova vida na Europa: o seu nome fica como referência para as novas gerações, e seu trabalho não foi em vão, tenha certeza. Por aqui, continuaremos a lutar para fazer o melhor dentro das parcas condições de que dispomos.

    Um forte abraço!
    Carolina Faria

  8. Não sei onde vai parar minha raiva. O trabalho que o maestro montou em São Paulo na Osesp deveria ser seguido por outras àreas da Administração. Nunca acreditei que seria possível um grande trabalho de ópera como o do ano passado ser mantido por muito tempo. Mas o maestro Neschling é a pessoa ideal para desenvolver trabalhos de grande envergadura ,como foi a Osesp. O que faz o prefeito de São Paulo que não contrata o maestro para reestruturar o nosso Teatro Municipal. Problemas e brigas politicas. Ah! Isso passou . Veja que grande contribuição traria para a cidade. O Municipal precisa de um projeto profundo de reforma. Veja o que nos ameaçam para o ano que . Reforma meia boa e uma programação pior ainda. Sempre achei que qualquer projeto de ópera necessita de uma base fixa. Como faz o teatro São Pedro ,em situação mais reduzida. A cidade de São Paulo daria um novo salto se o Maestro John Neschling fosse o condutor de uma grande mudança no Muncipal. Ah dirão alguns ele é briguento. É encreiqueiro! E dai? Se for é melhor ainda pois neste cargo precisamos de briga. Atençaõ prefeito Kassab sai dessa mesmice na àrea da cultura. Tai uma oportunidade única. Seria um terremoto. Daqueles que vem para mudar prá melhor.O Brasil está perdendo um de seus melhores quadros no mundo da cultura. E o sr. prefeito de São Paulo não vai fazer nada ?

  9. rodrigo figueiredo disse:

    maestro neschling,

    estou profundamente triste com esta notícia. triste e frustrado.
    faça das palavras de kelly as minhas: seus sonhos representam tbém a minha vontade. e sim, você é um dos maiores culpados, ou melhor, o maior deles por me arrebatar de vez para a música sinfônica!
    e acompanhando seu trabalho junto ao blog, imprensa e tbém o livro facilita a minha compreensão da razão desta despedida. mas essa tá difícil de “descer” depois da minha euforia com a criação da CBO, que era a esperança de contar com seu excelente trabalho no país…

    vou torcer para que o projeto vingue. vou implorar para que vc volte!

    forte abraço,

    rodrigo figueiredo
    ssa-ba

  10. Otávio disse:

    Para você também Mestre, um 2011 abençoado!
    Valeu por tudo!!!
    Grande abraço,

  11. bruno simões disse:

    Caro maestro,
    Meu pesar não se dá tanto em relação ao provável ocaso da CBO – cujos resultados não acompanhei, mas que de todo modo me pareceram no pouco que vi pela imprensa um pouco fora do aprumo por força da diretriz itinerante das montagens – quanto, por assim dizer, pela perda até hoje insuperável e indelével de sua presença na OSESP. Lembro-me bem de sua regência da 10ª de Mahler realizada talvez há 10 anos atrás, precedida de alguns comentários seus, se não me engano, no sentido do fim do tonalismo apontado pela peça, ou interpretação grave que o valha…
    No encarte do concerto, na época gratuito, havia um sugestivo diálogo em tom de fábula entre Mahler, acometido de intensos tormentos, e Freud, de férias na Holanda. Nunca tinha ouvido essa sinfonia inacabada e, até hoje, sinto-me desnorteado com a intervenção do trompete já quase ao fim da peça. O resultado final talvez seja um desamparo merecido e de regozijo, como quem mais uma vez testemunhou um poder avassalador de uma música que, num progressivo desespero, busca soluções ainda melódicas, mas que, à sua própria revelia, termina em efeitos distorcidos, quase grotescos, encontrando uma calmaria final, sem nada a acrescentar.
    Vejo a sua passagem pela OSESP, na verdade, pela refundação dessa instituição, como uma espécie de idade de ouro da música clássica no Brasil, em que a sua figura de regente parecia desempenhar o papel de preceptor de todos nós, ingênuos, porém, ávidos e devotos ouvintes. Talvez com o tempo tenhamos passado a perceber e reconhecer – com o perdão da intimidade – que em você se situava uma fonte por demais elevada de saber, não apenas musical, mas simplesmente elevada, aguda e interventora, no sentido da ousadia da criação, que mede, aprimora e conta com todos os esforços disponíveis, para sempre que possível ir além, inaugurar, criar algo novo, que em termos concretos se traduz numa base firme da cultura.
    A partir da experiência por você propiciada, senti quase como uma facada, não nas costas e covarde, mas rastaquera, de mau gosto e baranga, quando da decisão do conselho da osesp de demiti-lo. Pra mim, tratava-se inacreditavelmente de uma conjuração de barnabés (a despeito do semblante áulico dos medalhões que o integram) que não sabiam o que faziam.
    Não lamento sua ida para a Europa porque acredito que, após tamanho disparate, o mínimo que merecemos é o marasmo da incerteza dos rumos atuais da vida musica e a lembrança viva das suas realizações. De todo modo, impossível ignorar que o panorama mudou: graças à sua intervenção, diversas orquestras no Brasil, que talvez se tenham visto ofuscadas, passaram a sentir necessidade de incrementar e conferir seriedade ao seu estatuto artístico, pois não podiam mais se ver como meras repartições públicas. E isso é de uma importância que vai muito além dos rincões atucanados da Sala São Paulo.
    Termino saudando a sua pessoa inesquecível, e que bons ventos o acompanhem na sua nova empreitada.
    Atenciosamente,
    Bruno Simões.

  12. Uma grande perda para nosso Brasil.
    Para nós que aqui continuamos, fica cada vez mais enaltecido e importante, o exemplo abnegado de tantos e variados excelentes trabalhos que o maestro nos deixa.
    Um forte abraço.
    Adonay.
    Belo Horizonte.

  13. Odair disse:

    E enquanto isso a cultura em São Paulo fica na mão de freirinhas, dos críticos de música de meia pataca, de suas dignissímas esposas, ,políticos acéfalos e “coisas do gênero”.Lamento profundamente. Pude assistir ao Barbeiro em sua passagem pelo Teatro Alfa. Comentei com amigos o quanto era revolucionária a iniciativa, desvinculada da casa da mãe joana que virou a cultura paulistana. Sem comentar o nosso Municipal!!!Tenho até medo de imaginar o que o futuro reserva ao teatro.
    Lamento por nós, brasileiros,pela cena lírica nacional e por todos que nela trabalham ou sonhavam trabalhar. Desejo ao maestro todo o sucesso e reconhecimento na Europa. Mas é triste….., penso que o Brasil não merece alguém com vosso talento e paixão por brigar pela qualidade artística. Merecemos muito “Bolero de Ravel” nas temporadas da OSESP!!!!

  14. Guilherme Rosa disse:

    Maestro, foi um grande prazer participar de toda essa aventura! Não preciso dizer a tristeza que foi ler suas palavras! Fica aqui o meu pesar e o meu desejo de todo o sucesso para o senhor! Obrigado pela oportunidade de viver minha profissão no meu país! Um abraço!

  15. Adolfo Alves disse:

    Caroe ilustre Maestro
    Vejo todos os dias no noticiario – TV, jornais, etc. – noticas econômicas – que dizem serem boas – e noticias ruins, péssimas, de crimes, sequestros, assassinatos e vai por ai afora, além idiotices, inutilidades e ridicularidades. Na verdade esse gênero ocupa – creio – pelo 80% dos espaços. Mas sei que existem grandes noticias, grandes pr0jetos, grandes sonhos como os seus que deveriam ser postos no noticiário, também, para que os jovens pudessem ver que há um outro lado da vida, que nos justifica como seres inteligentes, civilizados, sem tanta selvageria e sem tanto materialismo consumista.
    O Brasil precisa de homens como Senhor, Maestro. Relaxa….e volte, por favor.

  16. Willian Cardoso disse:

    Caro maestro,

    Que pena que chegou a esse ponto. É triste saber que mesmo com os nossos gritos de “FICA! FICA!” e o clamor do público pela sua permanência tanto na OSESP como em um projeto de grande importância como a Cia de Ópera não tenham resultado em nada.
    Ficamos carentes de um líder cultural importantíssimo, bem como, temos certeza de que nosso clamor é ignorado por nossos representantes políticos.
    O país cresce, a economia melhora. Mas infelizmente atrás do dinheiro segue o rastro de nossa completa ignorência.
    Acredito que o melhor que posso fazer, já que pertenço a essa classe emergente é buscar na Europa e nos EUA o que não tenho aqui.
    Um grande abraço, e não deixe de nos abastecer com notícias sobre sua carreira na Europa e informar a nós, ignorantes, sobre o melhor de sua produção.

    Grande Abraço

    Willian Cardoso

  17. Rose Ferraz disse:

    Você não é dos que deixam. (O Brasil!)
    Nem os sonhos que levou tantos a sonhar junto.
    Feliz 2011!
    Com presença no ouvir, lucidez nas escolhas,
    coragem e carinho nas decisões.
    “Até talvez…”

  18. Edison dos Reis disse:

    Olá Maestro!

    É com enorme tristeza que leio essa notícia. Como tantos outros comentários que agregar o meu no agradecimento e parabenizá-lo pelo trabalho que o senhor desenvolveu com a música nesse país, em especial com a OSESP. Todo ano tenho a oportunidade de passar as minhas férias na praia de Santos e ver a apresentação de final de ano da OSESP. Expresso aqui meus votos de felicidades, paz e saúde ao senhor. Sucesso nessa nova etapa.

    Até logo.

    Edison dos Reis (UFSCar)

  19. Lucia disse:

    Carissimo Maestro, é com muita tristeza que tomo conhecimento de sua decisão de ir morar na Europa. Seu feito na OSESP foi extraordinário! Conseguir criar uma Sinfônica de tal monta no Brasil? Que maravilha! Só temos que lhe agradecer pela proeza e rezar para que seu feito não se perca. Esperamos que volte daqui a algum tempo com as forças refeitas para levantar o espírito dos que apreciam a boa música. Quem sabe na Cidade da Música aqui no Rio? Ainda tenho esperanças que sairemos da mediocridade e você é uma das pessoas que pode nos ajudar. De qualquer forma, muito obrigada por tudo! E boa estadia na Europa.

  20. Cecy Gadelha disse:

    Caro Maestro, sou uma das muitas pessoas brasileiras que digo sou analfabeta na musica, não entendo nada de sofejo, para minha tristesa e que ainda vou aprender, apesar de já ter 58 anos, mas gosto muito de musica erudita e infelizmente ainda não fui a nenhum concerto, mas sei de sua existência pela mídia e pelo que fez para nossas orquestras e por esse mundo que para mim é desconhecido, mas sabendo que é Uma Grande Pessoa, um Grande Líder e Maravilhoso Proficional, enfim tão GRANDE que os governantes desse país não soube valorizar. Ainda bem que seu mundo não é só São Paulo e também não é só Brasil, o seu Mundo é Grande e te dá Valor e que tem espaço Nele, Felicidades Maestro e ainda bem que sua obra esta gravada aqui e poderemos ouvi-la onde quisermos, agora vê-lo pessoalmente só lá na Europa, mas estamos on-line para esse breve bate-papo.

  21. Maria de Fátima Faraco Santolin disse:

    Maestro, meu profundo agradecimento.
    Que o Universo o proteja e traga de volta para nós.

  22. Eduardo disse:

    É realmente lamentável que a simples troca de Ministro acarrete a descontinuidade de projetos culturais, que não deveriam políticas de governo, mas de Estado. Ainda mais diante das notícias de que a atual Presidente seria apreciadora de ópera… Se quem conhece e gosta não apoia, quando tem a chance, o que podemos esperar dos demais?

  23. George Leite disse:

    Senhor Maestro,

    Confesso que nunca tive a oportunidade de ser testemunha do trabalho que o Sr. vem realizando desde 1997 neste nosso país carente de cultura de qualidade.
    No entanto, moro em João Pessoa/PB, e ainda em 2010 o Sr. trouxe “O Barbeiro de Sevilha” para a minha cidade, e eu, por conta de afazeres profissionais, não pude ir, mas minha esposa foi, e levou nossa filhota de 10 anos de idade, que assistiu sem pestanejar as duas versões, tanto para adultos como a adaptada para crianças, e elas ficaram extasiadas.
    A carência de cultura de qualidade no nosso país pode ser resolvida apenas com o fomento de obras dessa qualidade, no entanto, e infelizmente, o poder público prefere a solução do “pão e circo”, igualzinho nos tempos romanos, que é mais barato a curto prazo, e cumpre o seu papel com mais eficácia, que é de manter a população alienada.
    Só resta desejar-lhe uma boa viagem, e esperanças (mesmo que vagas) de que um dia teremos, em nosso Brasil velho de guerra, incentivos que possam multiplicar em nosso grande território, ações de qualidade como as que o Sr. tem prestado nos últimos anos.

  24. Carlos Hornstein disse:

    Prezado Maestro,

    Evidentemente é desnecessário dizer o “tapa na cara” que os fãs de música levaram.
    Há cem o Brasil era do tamanho de um ovo, com uma colonia italiana recente e recebíamos (Municipal do Rio, Municipal de SP (antes o São José), o Solis e o Colón) os tops do mundo (Tamagno, Caruso, Schipa, etc.) e tínhamos os nossos artistas excelentes.
    Hoje o Brasil é oitava e proximamente a quinta economia do mundo e não temos nada. De um lado os “populares”que acham que a cultura ocidental é coisa de burguês rico. Do outro os Phd’s que estão preocupados com grandes resultados contábeis mas em matéria de cultura conseguem ser piores e mais medíocres que a turma da pinga com cambucí.
    Enquanto isso, vamos ao Cinemark assitir às óperas diretamente do MET.
    No fim de cada ária eu aplaudo como se estivesse no teatro (apesar da cara feia de alguns colegas espectadores).
    Feliz 2011 para o senhor.

  25. Celia do Nascimento Vieira de Barros disse:

    Que pena, mais uma vez o Brasil perde o tem bom . Com certeza la fora o sr. sera sempre valorizado. Muita saude e alegria pois sucesso sempre tera onde quer que va.

  26. Regina Vilela disse:

    Caríssimo Maestro
    Mesmo morando em Minas Gerais, por diversas vezes fui à Sala São Paulo, desde sua inauguração, onde estive presente também. A OSESP sempre me encantou, e a Sala São Paulo sempre me causou muitas e boas emoções. Acompanhei muita coisa, no quieto da minha mineirice, e estava na Sala São Paulo também no dia do “Fica”. Acho que fui eu quem gritou mais alto: “Fica, Maestro, fica”! Com a sua saída, meses depois, o choque foi muito grande. Voltei a Concertos algumas vezes, mas perdeu a graça. A OSESP não tem mais aquele brilho. A Sala São Paulo ficou menos vibrante. Sinto e sentirei sempre saudades. Que pena que o Brasil não te mereceu!
    Receba minha admiração e meu carinho.

  27. Ivo Fachini disse:

    Sr. Maestro
    Na condição de privilegiado apreciador de seu primoroso trabalho apresentado em Florianópolis só tenho a agradecer, e a lamentar a sua despedida do Brasil, uma grande perda para um país culturalmente ainda muito pobre para “consumir” a riqueza cultural oferecida por pessoas e grupos de seu porte. O Sr. foi moderado em seus comentários a respeito do apoio governamental. O país ufanista que estamos vendo é uma invenção de marketing político, em que pesem algumas melhorias reais, mas todos sabemos o quanto estamos longe de uma civilização evoluída de verdade. Obrigado pelo seu ciclo no Brasil.

  28. José Serra disse:

    Olá Maestro, espero que você seje re-contratado para dirigir a OSESP.

  29. Maestro,
    É muito difícil esperar que mude alguma coisa na política cultural do nosso país enquanto os nossos governantes não entenderem que um povo sem cultura é um povo sem identidade. O senhor lutou pela a identidade do povo brasileiro! O Brasil perde mais uma copa do mundo. Sucesso prá vc lá na Europa e que Deus te abençoe!

  30. Jairo da Silva disse:

    Caríssimo maestro.
    É difícil mensurar o quanto a melhoria de minha qualidade de vida deveu-se ao Sr. e seu trabalho, com a vertiginosa elevação de qualidade da OSESP e das condições materiais de apreciação musical em São Paulo. Certamente mais do que tive a oportunidade de expressar. Pedi sua permanência aos gritos de “fica” na Sala ( a nossa sala) com paixão! Escrevi a jornais, fiz o que pude …e, claro, fui completamente ignorado.
    Mas nunca deixei de acompanhar seu trabalho. Fui a Buenos Aires só para ver o “seu” D. Giovanni (não pude ir aos bastidores cumprimentá-lo, mas enviei-lhe um abraço por intermédio de sua mulher, que encontrei na café do teatro).
    Também fui ver o “Barbeiro”, uma aventura em que só um visionário como o Sr. poderia ter embarcado. Apesar das limitações dos cantores que ouvi, era óbvia a potencialidade do projeto.
    Desejo-lhe felicidade nessa “nova fase”; certamente irei ouvi-lo onde quer que o Sr. imprima a marca do seu talento.
    Abraço e até breve!

  31. Sebastião Teixeira disse:

    Caro Maestro ,
    todos sabemos do seu valor, como músico, artista, enfim, um gênio, que fez com que a Osesp e a Sala S. Paulo, revolucionasse a maneira de se fazer música no Brasil e , melhor , valorizar o músico e artistas brasileiros.
    Sabemos o quão significativo foi a Cia. de Ópera, pois além de promover a valorização dos músicos e cantores, proporcionou a uma parcela da população brasileira, pela primeira vez, o contato com a ópera e somos testemunhas do prazer desses brasileiros e o encanto dessas mesmas pessoas, pela música de alta qualidade e pelo ineditismo dessa maratona nacional.
    Desejo que o senhor continue com essa luz e fazendo história, por onde passar.
    Daqui torcemos para o seu sucesso.
    Forte abraço.
    Obrigado por todos os seus feitos !!!

  32. Mary-Helen TE disse:

    Caro Maestro,

    Depois da sua repentina saída da Osesp, sempre achei que seu lugar verdadeiro era mesmo na Europa e fico contente por sua decisão. A Osesp alcançou as glórias que alcançou por causa de seu incansável trabalho. Enquanto isso, a Fundação Osesp faz de tudo para apagar seu nome da história da orquestra pois a sua competência incomoda aos novos e inúmeros dirigentes que o substituiram. Sinto pela CBO e pelos cantores líricos brasileiros mas um país que dá mais valor a Campeonato de futebol e a Olimpiada do que à cultura e à educação não tem grande futuro.
    Desejo-lhe sucesso e felicidades no velho Continente.

  33. Flor-de-lis disse:

    Demorou muito tempo até que se pudesse compreender que preservação ambiental combinava com desenvolvimento. No entanto, entender a importância da cultura no crescimento do país é uma tarefa que requer mais tempo. Quanto? Não tenho ideia. Cultura não é negócio e, dificilmente, é uma atividade lucrativa (como você mesmo disse, Amy Whinehouse não é cultura, é apenas entretenimento). O apoio estatal, portanto, é imperioso. Alguns Estados brasileiros vêm tentando obter a liberação das amarras da burocracia na área cultural, utilizando a formação de organizações sociais como principal ferramenta. Isso tudo mostra que, do jeito que está, não dá para ficar. A OSESP foi uma experiência muito feliz, que nos deu visibilidade internacional. Estou certa de que você deixará o Brasil consciente de sua contribuição.

  34. Cyrano Sales disse:

    Maestro Neschling,
    Foi com imenso prazer que participei do coro da Cia. Brasileira de Ópera no encerramento da temporada no Rio de Janeiro. Em meio a tantos percauços na cidade, o que vimos foi um trabalho que tem tudo para dar certo. Foi brilhante a idéia da Cia. e, por mais tristes que estejamos, é de total entendimento a sua ida. Como estudante de regência estou ciente do quadro da música no país, as dificuldades que enfrentarei serão as mesmas. Desejo-lhe um 2011 de muito sucesso. Por onde passas deixas sua marca de excelência. Esperamos notícias suas e o seu retorno ao país que tanto modificou com seus ideais. Bravo, maestro!

  35. Murilo Alves disse:

    Prezado maestro, um ótimo 2011 com muita sorte nas próximas realizações, na certeza sempre de que os desdobramentos de seus feito no Brasil continuam…

  36. Irai de Paula Souza disse:

    Querido Maestro Neschling, estou em estado de choque.
    Sua presença na vida cultural brasileira sempre significou e significará :
    os melhores projetos e criações da Música no Brasil.

    A concretização dos seus projetos para a OSESP/Sala São Paulo e a Companhia Brasileira de Ópera foram sonhos de cidadânia tornados realidade. Por isso, hoje é difícil aceitar na política nacional tanta relutância em estabelecer uma política cultural perene em nosso país. Afinal, Política Cultural não é questão partidária, mas sim de cidadânia.

    Infelizmente, por estas plagas, os burocrátas sempre vencem dando preferência aos « eventos » culturais ( ?). E assim, nossos melhores profissionais que não vivem apenas de « eventos » terminam por buscar novos e melhores horizontes artísticos longe daqui. Mas, sempre trabalhando pelo reconhecimento da identidade artística brasileira.

    Receba o meu agradecimento por sua dedicação em valorizar a atividade profissional dos músicos e a criação musical no Brasil. E, também, os meus melhores votos de SUCESSO e ALEGRIA em todos os seus projetos futuros ! Para John Neschling o melhor ! Para nós, seus admiradores, o alento de seguir compartilhando suas reflexões e realizações neste Blog iluminado de sabedoria e discernimento professional e de sonhar com novas oportunidades e parcerias…

    Saudades,
    Irai

  37. Hélio disse:

    Prezado Maestro;de minha parte,a lembrança de,em apenas três anos de Osesp,encontrar na estante o repertório mais precioso e arrojado,experiência única,escola formidável.Inesquecível privilégio o de poder tomar parte na inauguração da Sala-2a Mahler-de ter sido o 1o a cumprimentá-lo em seu camarim naquele dia marcante,do papo descontraído sobre a “Elektra”,”Die Frau…”no elevador e,para além de toda a controvérsia,sua cordialidade e tratamento respeitoso para com a minha pessoa em todos os momentos em que atuei sob sua direção,incluindo um recente reencontro em Curitiba.Não poderia deixar de lembrar e agradecer pela confiança ao substituir as velhas harpas italianas por “Hebe”,belo instrumento norte-americano que desde então tem abrilhantado as apresentações da Osesp,sem esquecer também,e especialmente,de sua tolerância para com algumas “desventuras aéreas” que me impediram vez ou outra e que o deixaram certa vez,inclusive,da harpa desfalcado para um “Bolero”(tadinha da nossa querida Eneida,quase morreu!O céu simplesmente desabou em Cascavel naquela manhã.Ainda tenho pesadelos com o episódio).Por aqueles anos da maior música,ao lado de extraordinariamente capazes,talentosos e saudosos colegas,grandes solistas e tantas batutas de ouro,minha gratidão e reconhecimento,em idênticas proporções ao privilégio a mim concedido.Tudo de melhor para o próximo ato.
    Hélio Leite,harpa/OSP

  38. maria amélia disse:

    Que pena… bem agora que a programação cultural (acessível e de qualidade) estava chegando por aqui…
    Domingo assisti a minha primeira ópera, um sonho antigo, e foi justamente o Barbeiro de Sevilha pela Cia Brasileira de Ópera. Embora seja um espetáculo infantil, confesso que fiquei encantada e porque não dizer até emocionada. Eu que sou praticamente uma ignorante do mundo musical já estava me sentindo benefeciada pela itinerância cultural que o Sr. iniciou. De toda forma, obrigada por ter trabalhado nesse projeto de tanta qualidade. Sem desmerecer quem fica, aliás nem os conheço, temo que as coisas não serão mais as mesmas por aqui sem sua competência e suas idéias inovadoras. Sei também que é uma pessoa um tanto polêmica, já li a seu respeito e devo dizer que tenho grande admiração pelo seu trabalho. Espero que sua ausência seja breve, e quem sabe até reconsidere dessa decisão. Precisamos de pessoas como o Sr. aqui nesse país tão pobre de cultura e de iniciativas.
    até breve
    m.amélia

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