Nunca houve Tortelier ou O retorno do Conselheiro Acácio

Tento ser otimista. A OSESP faz parte de minha biografia e quero acreditar que ela vai sobreviver às intempéries. Que vai realizar seu destino de estrela ascendente no universo das orquestras sinfônicas. Confesso, entretanto, ser difícil continuar acreditando nessa vocação quando leio nos jornais o que se faz com ela, tantos desmandos, tanta inépcia e desatino.

Sei que não convém a um artista responder a críticas. Mas há limite para o quanto podemos ouvir calados, sobretudo quando seu nome aparece diversas vezes no meio da embrulhada. Foi o que aconteceu na matéria sobre a OSESP publicada ontem no Estado de São Paulo, em que, após considerações iniciais do jornalista João Luiz Sampaio, lêem-se duas entrevistas, uma com o Maestro Yan Pascal Tortelier, dada a um repórter alemão, e outra inédita com o “consultor internacional” Henry Fogel, concedida em outubro deste ano.

Na matéria, intitulada “Relações delicadas no universo da OSESP”, percebo mais uma vez a embalagem política que se dá às discussões sobre a orquestra nos últimos tempos: fala-se em democracia, em jogos de poder, em autoritarismo, em liberdade, em “orquestra do povo” e outros conceitos, dando a impressão que se trata mais do Partido OSESP do que de uma orquestra sinfônica, com suas necessidades e especificidades. Ao mesmo tempo, ignora-se completamente todo o trabalho social e educativo que a OSESP já vinha fazendo desde sua refundação. Já no início desta década o lema da OSESP era “pode aplaudir que a orquestra é sua”, o que significa o desejo de capilarização de um projeto de excelência, ligado à uma ideia de auto estima e dignificação da sociedade. Não se comenta porém os recentes aumentos dos preços das assinaturas e dos ingressos, a tentativa de acabar com as meias entradas para estudantes, para a terceira idade e aposentados, medidas, estas sim, que elitizam projeto e implodem o discurso populista adotado. Ignora-se o fato de o número das assinaturas cair e continuar caindo. Confundem-se conceitos como disciplina com opressão, autoridade com autoritarismo. Procura-se imprimir a pecha de “old fashion” ao sistema de trabalho que eu havia instituído na OSESP, sem definir no entanto o que seria “moderno” e “new wave” na condução da orquestra.

Se Tortelier tem mesmo com a OSESP a relação que ele expõe na matéria do jornal, não possui nenhuma autoridade sobre os músicos. E sem essa autoridade não lhe será possível imprimir nenhuma personalidade ao conjunto. Em vez de dizer que “não há mais Neschling” na OSESP, seria mais correto afirmar que “nunca houve Tortelier”. Na entrevista, meu colega afirma que “sua função agora é colocar a orquestra de volta nos trilhos”. E que “com o tempo vai fazer alguns ajustes”. Pergunto: até agora, passados dois anos de sua contratação, o que ele fez? O que significa dizer que “a orquestra estava fora dos trilhos”? Pouca qualidade? Poucos prêmios? Críticas desastrosas? Poucos assinantes? Quais os ajustes que ele considera necessários? Por que não foram feitos até hoje? Deixou-se tudo para o último ano, depois que sua fritura está mais que explícita?

Tortelier afirmou ao público presente à Sala São Paulo, antes de partir para a atual tournée européia, que o repertório da viagem traria “coisas” novas para a orquestra, referindo-se, sobretudo ao Concerto para Orquestra de Lutoslawsky. Engana-se o maestro. Já executamos essa obra, e muito bem, anos atrás. Quem quiser conferir é só ouvir a gravação da Radio Cultura. Dizer que a orquestra tem dificuldades para tocar essa obra é menosprezar a capacidade dos nossos músicos. Deixei uma orquestra técnica e musicalmente preparadíssima, que era copiosamente elogiada pelos maestros convidados. Nenhuma orquestra toca a Rapsódia Espanhola de Ravel bem “de cara”, como afirma Tortelier. Mas a Rapsódia Espanhola tampouco é novidade para a OSESP. Tocamos diversas vezes essa peça procurando sempre atingir as intenções impressionistas que o compositor desejava.
E qualquer dificuldade além do esperado que Tortelier tenha enfrentado ao refazê-la com a OSESP certamente não se deve às limitações da orquestra.

Mais preocupante, porém são os comentários de Tortelier sobre Villa-Lobos. Por mais encantado que eu tenha ficado ao descobrir que ele ama o “sabor e o charme” de Villa-Lobos, isso soou aos meus ouvidos como um turista francês falando das mulheres de biquini na praia de Copacabana. Se eu chegasse à França e dissesse que amo o sabor e o charme de Debussy, creio que jamais poderia voltar a encarar uma orquestra francesa. Villa-Lobos exige um pouco mais de respeito do que essas afirmações folclóricas e típicas de europeus arrogantes. Ao menos, o maestro sabe que gravamos a obra do mestre, e que apesar de “algumas notas erradas” (suprema pretensão do colega) ganhamos o Diapason d’Or de l’Année em Paris. No entanto, o desempenho com a nossa música (“a música deles”, como Tortelier explicita) o decepcionou. Será que, nessa altura da vida, ainda temos que explicar às pessoas que não existe “música nossa e música deles”? Que não existe engenharia francesa e engenharia norueguesa, mas sim engenharia bem feita ou mal feita em qualquer lugar? O Maestro assim desrespeita Villa-Lobos e nossos músicos. Dizer que vem ao Brasil ensinar-nos a Rapsódia Espanhola de Ravel e curtir nossas especiarias corresponde à pretensão de um Villegagnon querendo levar o nosso ouro e deixar uns espelhos para os índios. Ao querer demonstrar humildade, Tortelier piora as coisas. Diz que quer aprender os Choros n. 6 com a nossa orquestra. Isso não está correto. Especialmente numa tournée internacional. Parece que virou moda usar a OSESP como laboratório para estudos de direção artística, musical e otras cositas más. Para regentes, críticos e editores.

Tortelier afirma ainda que busca uma “outra dimensão”, e quer “liberdade para fazer música em outro nível”. Com todo o respeito ao meu colega, isso de “outra dimensão” e “outro nível” está mais para guru espiritualista e xamã da Califórnia do que para regente de orquestra. Uma orquestra é formada por profissionais competentes, como ele mesmo diz, e precisa de um maestro competente e preparado para incutir uma interpretação que chegue o mais perto possível das intenções do compositor. Essa história de “colorir a interpretação” soa mais como as críticas poético-musicais que eu encontrava antigamente em certos cadernos culturais.

Quanto às afirmações de Henry Fogel em sua entrevista, o buraco é mais em baixo. Confesso que terminei a leitura do “conselheiro internacional” estarrecido. Se me permitem a comparação, Fogel está muito mais para “Conselheiro Acácio” do que para “conselheiro internacional”. Não há nenhuma novidade nem revelação no que ele tem a dizer. Só o “óbvio ululante” de Nelson Rodrigues. Frases lapidares, dignas de um Barão de Itararé, como: “músicos profissionais estudam música desde cedo” ou “o trabalho do maestro é fazer com que todos toquem na mesma sintonia”. É mesmo necessário pagar um conselheiro internacional para dizer essas platitudes?

Fogel preconiza uma temporada em que o titular faça por volta de 13 concertos e o resto sejam maestros convidados. Exatamente o que acontecia quando eu estava à frente da Orquestra. Cadê a novidade? Nosso consultor traz o exemplo de George “Chaunti” (!!!), que desconfio ser Sir George Solti, grande maestro que esteve por anos à frente da Orquestra de Chicago e que Fogel considera “old fashion”. Durante a gestão de Fogel como Diretor Executivo, Solti deixou a Direção Musical de Chicago e foi substituído por Daniel Baremboim. Não creio que este grande músico encarne o exemplo da democracia tão alardeada por nosso Acácio. O problema que vejo é que Fogel acha que estamos em Chicago, nos EEUU, com seu público, sua tradição centenária, suas leis de incentivos fiscais, sua regulamentação de heranças, tudo tão diferente do que temos por aqui. Querer fazer com que uma orquestra em São Paulo, quase inteiramente patrocinada por verbas públicas, portanto dependente politicamente do Poder Público, siga modelo norte americano é uma utopia delirante. Nossa realidade política, econômica e social é outra e necessita de soluções diferenciadas.

Fogel, numa prolepse maravilhosa, descarta logo a esperança de que tenhamos um grande nome internacional à frente de nossa orquestra, porque esses estão todos ocupados. Grande novidade. E diz que leva tempo para achar alguém e que não adianta ter pressa. O Conselho da OSESP já ouviu isso bem antes, e não acreditou.
Fogel apresenta o novo titular como uma espécie de coringa, não necessariamente brasileiro, não necessariamente homem. Só o que se sabe é que não pode ter menos de 35 nem mais de 55 anos. Isso pelo menos descarta logo um número enorme de excelentes candidatos. Mas num novo jorro acaciano, Fogel afirma que o novo regente deverá ser talentoso e dedicado. Ainda bem. Que dizer se viesse para cá um medíocre preguiçoso? O que o consultor não explica são as funções do novo maestro. Diz apenas que o resto será feito por Arthur Nestrovsky, autor da obra poética “Pedra”, publicada como comentário ao último post desse blog. Mas como Nestrovsky fará isso?

São estas as questões que devem ser pensadas. A principal orquestra sinfônica do Brasil não é uma orquestra qualquer. Não há no nosso País outras centenas ou milhares de orquestras sinfônicas, muitas de ponta, como nos EEUU e na Europa. Aqui tem uma só. Que tem suas peculiaridades. Seus problemas e características específicas. E por ser única, é frágil. Necessita de cuidados especiais e estratégias de quem conhece a nossa realidade e o repertório nacional.

Quando eu disse na minha fatídica entrevista ao Estadão, em novembro de 2008, que a orquestra ainda não estava madura para cuidar de si própria, que os músicos precisavam abandonar a proteção da mediocridade (mediocridade no sentido literal da palavra: defesa do que é médio, do que é comum) e serem responsáveis pela excelência de seu futuro, fui despedido. Dois anos depois vem meu sucessor e diz a um jornal estrangeiro exatamente a mesma coisa. Afirma também que há jogos políticos na OSESP. Informa que “há um potencial enorme e que espera que este não seja destruído pela política”. Lamento dizer, mas isso já está acontecendo há muito tempo. Será que ele também vai ser demitido assim que voltar da tournée? Espero que não.

Tudo isso me parece pouco auspicioso. Acho curioso que numa orquestra com tantas cabeças no seu comando, um editor, diversos diretores e conselheiros, não tenha sido encontrado alguém para comentar as declarações polêmicas do maestro, como afirma o jornalista. Será que estão todos tão indignados com as declarações de Tortelier que se recusam a comentar?
Talvez seja essa a razão para que ninguém se pronuncie. Pior seria se o motivo desse silêncio fosse a falta do que dizer. Isso sim, seria o fim.

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17 respostas para Nunca houve Tortelier ou O retorno do Conselheiro Acácio

  1. Leandro Vieira disse:

    Bravo! Bravíssimo!
    Onde assino?

  2. Dinilson disse:

    É difícil acreditar no êxito desse programa à frente da Osesp. Entre diretores, coordenadores, auxiliares, mestres de cerimônia e regentes faladores, vejo com tristeza o estado em que se encontra a Grande Osesp. Como Nordestino, sinto um orgulho imenso da Osesp, tenho todas as suas gravações. Lembro que há dois ou três anos um disco da Osesp ficou entre os três melhores do mundo, segundo a prestigiosa Gramophone. Gramophone, aliás, que nunca poupou elogios ao trabalho realizado pelo Maestro John Neschling. No episódio da demissão deselegante do Maestro Neschling, ficou patente o mal que a má política causa à arte.

  3. Roberto Barreto, de Catende disse:

    Bem, já que o maestro invocou Nelson Rodrigues, peço licença para saudar M. Tortelier com uma gargalhada cósmica.

  4. Levi Eliseu dos Santos disse:

    Na primeira apresentação da OSESP, na estréia com o senhor na regência, ocasião em que foi executada a segunda do Mahler, eu estava encantado demais em frente à minha velha tv, acompanhando sem piscar cada momento daquela maravilha.
    Agora, pela primeira vêz irei à São Paulo em Dezembro, especialmente para assiastir a uma apresentação da OSESP, e me entristeço muito por não ter conseguido ver e ouvir a grande orquestra em ação enquanto ela ainda tinha a sua frente o maestro John Neschling.

  5. Mary-Helen TE disse:

    Colo abaixo parte do blog de Henry Fogel de 2007.

    25th September, 2007 – Henry Fogel
    São Paulo’s Orchestral Jewel

    Much as we’d prefer to deny it, most of us have our fair share of prejudices. I imagine that many of us would state a belief that the best orchestras in the world are either European or North American; some might be willing to add Japan to the mix. But as I’ve come to know the São Paulo State Symphony Orchestra, through a large number of recordings and a couple of days spent with them in Brazil, there is no question in my mind that they must occupy a place on that elite list…

    The performance I heard of Bach’s Mass in B Minor, led by Claus Peter Flor, was played with astonishing brilliance as well as commitment and warmth. The trumpet playing would have done any orchestra proud, as would the solo flute and oboe. The performance was not “HIP,” nor was it old-fashioned – it combined elements of both approaches convincingly.

    But having listened before and after my visit to a wide range of recorded repertoire by this orchestra, under its music director John Neschling, and having spent a few days with its administration and board, I came away wildly impressed.

    In the past ten years, the São Paulo Symphony has gone from a government-run entity riddled with inefficiency and artistic inconsistency to an orchestra that is artistically first-class, and an organization that is achieving some astonishing things. They play more than 130 concerts a year (96 subscription concerts); their home hall is one of Russell Johnson’s great achievements – a renovated train station! The São Paulo Symphony operates an academy that trains young musicians, a publishing house that publishes Brazilian music, an archive for Brazilian music, and an educational program that serves more than 40,000 youngsters. The foundation (which is really a board) that oversees the organization was formed in 2004 – so much of this has come into being in the past three years. The music director, John Neschling, has been a remarkably powerful force in building the artistic quality, and their many recordings (they make about five or six per year) demonstrate both their high level and their versatility. …”

    Não parece ser o mesmo Fogel que é o atual consultor artístico da Osesp.
    Por que teria mudado de opinião?

  6. Mary-Helen TE disse:

    Fogel diz:“o trabalho do maestro é fazer com que todos toquem na mesma sintonia”. Nesse caso um metrônomo poderia ser útil e infinitamente mais barato.

    Estaria ele pensando na RTO?

    Mas a RTO é amadora e tive o privilégio de assistir a um concerto deles. Qualquer músico que melhore sua técnica é convidado a sair. Crianças também não são aceitas pois tocam melhor do que os adultos amadores!

  7. Roberto Ondei disse:

    Maestro

    Que saudades do senhor a frente da OSESP!
    É uma grande pena o fato de a mediocridade política ainda sobrepor-se à música e à necessidade simples de fazer-se um trabalho verdadeiro e de excelência artística em nosso país.

    Enfim, bem aventurados os homens de boa vontade!..

    Roberto Ondei

  8. ondina disse:

    ” O desempenho com a música deles,e mesmo os Choros,me decepcionou. ”

    Tortelier falando sobre nossa orquestra ao reporter alemão…

    De fato,esse “música deles “,é de um menosprezo sem tamanho!
    Parece estar falando de um grupo tribal,e não de nossa OSESP!

  9. Mary-Helen TE disse:

    Este novo blog de Henry Fogel, 2009, com os maiores elogios à orquestra mas já não mais menciona o nome de Neschling. Já tendo sido contratado pela Osesp, obviamente não queria melindrar ninguém.

    São Paulo’s Little-Known Orchestral Treasure
    I wish I could fully explain why I find myself so captivated by the São Paulo Symphony Orchestra. Whatever the reason, it remains one of the most endearing (and little known) stories in the world of symphony orchestras.
    The São Paulo Symphony is a full-time orchestra that plays about 30 weeks of subscription concerts (each program three times) in a stunningly beautiful concert hall with terrific acoustics designed by the late Russell Johnson. The hall seats about 1500, the series is about 70 percent sold by subscription, and when single-ticket sales are added the total sales for the season are well over 90 percent. The programs are adventurous, including a good deal of contemporary music and a good deal of Brazilian music mostly unknown to the rest of us. (If you’re interested in discovering a wonderful composer, seek out Camargo Mozart Guarnieri; you can easily find recordings of his music at Arkivmusic.com, and many of them are by the São Paulo Symphony.)

    The São Paulo Symphony is very heavily supported by the municipal government of São Paulo. I believe that they and the people of São Paulo consider the orchestra to be one of their civic treasures. Because of heavy government support, the ticket prices can be kept reasonable, and that is why the concerts are over 90 percent sold. I attended the opening night of their 2009 season–São Paulo is south of the Equator, so their season is the opposite of the American and European season; it begins in March and ends in December–and the program was totally sold out for all three nights. Yan Pascal Tortelier conducted Elgar’s “Enigma” Variations and Rachmaninoff’s Second Symphony (which he blessedly performed without cuts, proving what a wonderful piece it is as Rachmaninoff wrote it).

    The São Paulo Symphony has gone through some dramatic changes recently, including the departure of their longtime music director. Tortelier has agreed to be their principal conductor for the next two years while the orchestra searches for a permanent music director. They are re-examining their governance structure, with an extremely intelligent and dedicated board and management team, so that they can operate as effectively as possible. In order to learn from models in America and Europe, they have engaged me and Timothy Walker, chief executive and artistic director of the London Philharmonic Orchestra, to guide them and provide information about orchestral structure elsewhere.

    What’s so attractive and engaging about this organization is everyone’s enthusiasm and desire to create something very special in São Paulo. Example: Tortelier decided to give the musicians a break in one of the rehearsal days for this opening concert, so he started rehearsal an hour late, telling them the day before that they could all “sleep in” for an extra hour. At that shortened rehearsal, as the clock indicated the end, he said “I wish I had five or ten more minutes to really finish up our work.” The orchestra said “well of course you do–you started an hour late!” It is hard to imagine an American orchestra “giving” that ten minutes spontaneously!

    So it is with the management and the board as well: every question they ask, every avenue they explore, is aimed at being the best. The organization has an academy to train young musicians, and it has a publishing arm that is creating critical editions of previously unpublished Brazilian music. The orchestra then performs and often records that music, and brings it on tour. They understand that a major role for them is to introduce Brazilian symphonic compositions to the world through touring and recording.

    Now, if they had all the right philosophies and attitudes but didn’t make music at a high level, it wouldn’t matter so much. But the quality of the orchestra is superb. You know that you have attended a wonderful concert when the music keeps playing in your head two, three, even four days later–and that is what happened with the Rachmaninoff. The string tone was gorgeous, the balances and blend of sections were ideal (a factor of the musicians, the conductor, and the hall), and the orchestra played as if it actually listens to itself, with the musicians interacting musically with each other. The overall performance of the Rachmaninoff was one of the most satisfying I’ve ever heard of that piece.

    This is an orchestral organization that thinks about itself, about its role and place in Brazilian society and in São Paulo as well as in the larger world of music. It seems to gear everything it does to performing every part of that role as well as possible. Perhaps that’s why I find them so captivating. Should you find yourself in São Paulo, whether on a business trip or on vacation, go see and hear this orchestra. I guarantee that you will be shocked (in a good way) at its quality, and the quality of its remarkable concert hall. You will be as captivated as I am.

    A gloriosa Osesp por ele descrita já era obra anônima.

  10. Eduardo disse:

    É difícil imaginar o que teria levado Tortelier a conceder essa entrevista e a dizer o que disse (alguém sabe se já foi publicada? qual o veículo?). Será que ele imaginava que o conteúdo não chegaria aqui? As dificuldades já eram comentadas, e nesse sentido a entrevista não traz nenhuma novidade, mas admitir os problemas com a orquestra em turnê é uma irresponsabilidade. Além do que, obriga a direção da OSESP a tomar uma posição, o que aparentemente estava sendo evitado, até que o novo regente assumisse.

    Mas não é só. Simplesmente não entendi o que ele quis dizer com buscar “outra dimensão” e “música em outro nível”. Teria sido problema de tradução? Porque em português isso não quer dizer nada.

    A referência a Villa-Lobos como “nossa música” não me pareceu ofensiva. Talvez, excessivamente sincera (s.m.j. Villa-Lobos ainda não foi “assimilado” mundo afora, de modo que para um francês ainda se trata de música “brasileira”; imagino que o mesmo tenha ocorrido no início com Bartók ou Dvorák). Pior foi a referência às notas erradas na gravação dos Choros. Se não houve erro, é uma leviandade. Se houve, foi uma cutucada desnecessária, ainda mais diante dos muitos prêmios recebidos pelo disco.

    Quanto aos comentários do Sr. Fogel, as mudanças reveladas pelas postagens do blog dele ao longo do tempo (copiadas acima) já dizem tudo. Só não entendi ainda qual é exatamente a sua função. Precisamos de um consultor para sugerir repertório? (o diretor artístico e o regente, individualmente ou em conjunto, deveriam ser capazes disso). Faria sentido a sugestão de regentes convidados e solistas, mas como aparentemente a maioria deles é escolhida no catálogo da IMG até isso não parece grande coisa.

  11. Braquicéfalo disse:

    Prezado Maestro,

    tenho as gravações dos choros e bachianas que a BIS fez com a OSESP e tambem uma gravaçao da Floresta e ainda o CD do Santoro.

    Todas interpretações de primeiríssima linha.

    Mas o motivo pelo qual escrevo é pedir para, quando puder, tecer comentários sobre o maestro meu conterraneo, Eleazar de Carvalho.

    O ciclo Berlioz que fez, aqui no Rio, foi uma das recordações mais nítidas do carisma de um grande maestro.

    Ainda hoje, sinto o impacto do Requiem, com os músicos militares provenientes de diversas bandas, distribuidos nas galerias e balções simples.

    Uma Sinfonia Fantástica fenomenal e uma verdadeiramente trágica e apaixonada Romeu e Julieta.

    Já ocupei muito espaço.

    Abraços.

  12. Otávio disse:

    é…complicado né Mestre!

  13. lantro disse:

    Ihhh… Acho que tão logo a turnê acabe, lá vai o Torta ser demitido… Via twitter…

  14. João Pedro Velloso disse:

    Lamentável a bola de neve que a OSESP vem alimentando.
    O pior é: e nós, meros mortais brasileiros de classe média, se não formos assistir a OSESP, vamos assinar qual orquestra?

  15. Musicien inconnu disse:

    Volte maestro, volte! Ou então pelo menos tome a dianteira de grupos acéfalos, como o TMSP ou a Osusp. Necessitamos de cabeças realmente dirigentes e pensantes de verdade, e não as fachadas deslumbradas e “divísticas” que possuímos. Volta maestro, volta!

  16. Tb quero assinar, perfeito maestro – o senhor está fazendo muita falta. abs M

  17. Maestro.
    Que tristeza!
    Era frequentador da OSESP, mas confesso que esse ano sequer fui a um único concerto. Assinaturas mais caras, concertos avulsos mais caros, notórios desmandos e a nítida sensação de que havia gente demais que não suportava a grandeza de quem alçou a OSESP ao lugar que lhe era de direito.
    Acharam que a obra estava pronta e que poderiam então abrir mão do mentor. Grosseiro erro, pois a obra não termina. A obra encontra-se em permanente evolução. É um “work in progress” que demanda muitomais do que frases de efeito e jargões para se sustentar.

    Ainda sinto sua saída.
    Abraços.
    E muito, muito sucesso. Porque você merece.

    Fernando Colpas (um eterno admirador)

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