Os velhos horizontes da OSESP ou Narciso acha feio o que não é espelho…

Reza a tradição que, antes de comentar o desempenho de seus sucessores, os mandatários, quando deixam seu posto, dão um espaço de meses, às vezes de um ano, para que esses possam mostrar a que vieram. Pois bem, fui demitido da Direção Artística da OSESP há quase dois anos e creio que já houve tempo suficiente para que a Fundação mostrasse o serviço que tinha apregoado. Sinto-me a cavalheiro para criticar (e também para elogiar) os rumos que se imprimiu a essa Instituição.

A OSESP lançou há dias a sua temporada de 2011, e essa semana parte para a sua terceira tournée européia. A Revista Concerto, em tempo, publica um longo artigo com o título “Os novos horizontes da OSESP”, que li com interesse.

Afirma-se na matéria que a “autocracia Neschling”, termo com que me deparo pela primeira vez, pôs fim à minha permanência à frente do grupo (eu diria o seguinte: o que pôs fim à minha permanência foi a “autocracia Serra”). Hoje em dia é curiosa a terminologia que aparece quando se fala da Osesp: “pulverização de poder”, “novos modelos de gestão e governança” e que tais. Estes conceitos aparecem até com mais ênfase do que outros como qualidade musical, disciplina e rigor estético. Parece que estamos falando de política e não de orquestra. Enquanto eu tive parceiros no governo do Estado, a autoridade do maestro era considerada benéfica e os resultados louvados.

Dois anos se passaram e a transição continua. O Maestro Ian Pascal Tortelier, convidado para o posto de regente principal, já não se dá bem com a orquestra e vem sendo fritado muito antes do final de seu contrato, o que era previsível, dada a intempestividade com que foi contratado. Isso a matéria não conta. Escolher um diretor principal para uma orquestra é muito mais difícil e demorado do que se imaginou no Conselho de Administração. Bem que eu avisei.

Pergunto-me quais os benefícios que a presença de Tortelier trouxe ao conjunto. A matéria tampouco nos traz essa resposta. Sei, no entanto, que a tournée à Europa corre o risco de ser seriamente prejudicada se os desentendimentos entre maestro e orquestra se acirrarem. Leva-se uma rede de segurança na figura do maestro assistente, Cláudio Cruz, músico homenageado este ano, mas que surpreendentemente não aparece na lista dos regentes sinfônicos na temporada do ano que vem.

Por sua vez, a temporada me parece atraente e diversificada. Nomes interessantes como Osmo Vänska, Louis Langrée, Stephane Denève e Roshdestwensky abrilhantam a “saison”, embora não sejam novidade por aqui. Por outro lado, chama-me a atenção a ausência de uma programação sistemática de obras brasileiras e latino-americanas o que difere diametralmente das afirmações do diretor artístico no corpo da matéria. Diz ele que essas obras são as que dariam um caráter especial à OSESP. Pena que o que se vê na realidade é a falta delas.

As estreias de compositores a quem obras foram encomendadas (à exceção de Edino Krieger, a quem a OSESP já havia encomendado a “Passacalha para um Novo Milênio”), são de autores que desconheço (deve ser falha minha) ou provenientes da música popular, como Edu Lobo e Naylor Azevedo – o Proveta. Grandes músicos nessa área específica, não necessitam de encomendas da OSESP para que a sua obra seja executada. Em contrapartida, compositores de música de concerto, que dependem dessas encomendas para ouvir a suas obras e para poder sobreviver de seu trabalho são deixados de lado…

Algumas das obras importantes programadas para a próxima temporada serão regidas por maestros a quem, na minha opinião, outro tipo de repertório cairia melhor. Alondra de la Parra, uma maestrina de pouquíssima expressão e grande beleza, se incumbirá da Segunda Sinfonia de Mahler. A meu ver, um despropósito. Assim como é um despropósito confiar o Requiem de Verdi a Claus Peter Flor, excelente para a Criação de Haydn.

Talvez essas decisões tenham sido tomadas pelo editor Luiz Schwarcz, um diletante na música que, segundo as informações da Revista Concerto e comentários dos bastidores da OSESP, tem assumido uma importância proporcional a seu despreparo para a função de programador e conselheiro musical. Nem sempre ser melômano e ter uma discoteca importante credencia um amador a tomar decisões artísticas numa orquestra da importância da OSESP (seria divertido, leitor voraz que sou, se Luis Schwarcz me permitisse atuar nas funções de editor da sua Companhia. Será que ele topa?) Mas como Arthur Nestrovsky mesmo disse que está no cargo para aprender, talvez a turma de alunos tenha sido ampliada para membros do Conselho.

De todas as formas, a programação tem o seu interesse. Parece-me claro que não houve nenhuma preocupação com gastos. Trata-se de uma temporada caríssima. Não consigo imaginar Roshdestwensky vindo ao Brasil para reger a Oitava de Mahler por 20.000 Euros. Nem por 30.000. E a Oitava custa muito mais do que isso, com seu coro ampliado, seus inúmeros solistas etc. Também não me parece que houve intenção de economizar com a equipe de programação, da qual fazem ou fizeram parte além de Athur e Luiz, dois conselheiros internacionais, um diretor executivo e um ex (já?) administrador artístico (isto segundo a revista). Ignoro se com esse orçamento generoso, ampliado pelo segundo aumento consecutivo no preço das assinaturas, pensou-se em dar um aumento real para os músicos da orquestra e do coro, que há anos esperam por essa medida. Ou que se tenha instituído o projeto de previdência privada que imaginei para os funcionários da Fundação. Tomara que sim.

Porém o mais espantoso são as declarações do diretor artístico. Fotografado na matéria admirando-se no espelho, afirma por exemplo que a OSESP é “reconhecida como uma excelente orquestra brasileira, não como uma orquestra que toca um repertório caracteristicamente nosso”. Ora, se a OSESP é hoje reconhecida internacionalmente, o é justamente pelo repertório brasileiro que gravou (Guarnieri, Villa-Lobos, Santoro, Mignone, Braga etc) e pelo qual foi seguidamente premiada. Este repertório foi sempre um dos pilares de minha programação, durante doze anos de atividade frente à orquestra. Ao contrário, depois de minha demissão é que esse repertório foi drasticamente reduzido, senão totalmente negligenciado.

“Precisamos descobrir como conquistar um espaço internacional com uma contribuição original (…) acredito que a OSESP tem plenas condições de se afirmar como a principal orquestra da América Latina (…) bem como, no médio prazo, direcionar parte de nossos programas para esse repertório” (brasileiro e latino-americano). Essas são outras afirmações colhidas no discurso do diretor artístico. Será que ele não tem noção de realidade? Ou é uma intenção deliberada de apagar o trabalho que já foi feito? A OSESP tem um espaço internacional conquistado a duras penas nos últimos anos, e já se afirmou indubitavelmente como a melhor orquestra da América Latina. A obrigação de seu diretor artístico é manter esse espaço, o que já seria bom, ou mesmo ampliá-lo. E ,ainda, parar de olhar no espelho e dar uma estudada nos programas que a orquestra executou nos anos em que estive à sua frente. Afinal, também se aprende com o passado.

Querer ilustrar a “nova” faceta latina da OSESP citando o concerto dedicado a Golijov e a presença do maestro peruano Miguel Harth-Bedoya é igualmente incorreto. Golijov esteve na minha casa antes da minha saída da OSESP, justamente discutindo um programa dedicado à sua obra, e Harth-Bedoya regeu muito bem a OSESP, no início dessa década. Não há nada de novo por aqui.

Não obstante tudo, a manutenção do compositor em residência é louvável, e é muito boa a idéia do compositor transversal.

Finalmente, sou obrigado a chamar a atenção para os enganos que o diretor musical insiste em propagar: “Na verdade, nunca houve a figura de um diretor artístico na OSESP”. Esta informação é incorreta. Foi como Diretor Artístico e com um planejamento minucioso que, durante doze anos, construi uma orquestra da qual hoje Arthur e Luiz podem se orgulhar. Foi justamente pensando estrategicamente, inspirando e acompanhando a construção da Sala São Paulo, planejando temporadas interessantes, supervisionando todas as publicações e material gráfico que deram uma identidade visual diferenciada à Osesp, os programas educacionais, o Centro de Documentação Musical, negociando com as casas discográficas, organizando as tournées brasileiras, latino-americanas, americanas e européias com agentes (a quem pude apresentar a OSESP reestruturada), criando a Academia da Orquestra, imaginando os concertos de câmara da série “Um Certo Olhar”, o projeto “OSESP Itinerante”, entre outras coisas, que exerci ao pé da letra a função de Diretor Artístico da OSESP. Mais: fiz isso sem o auxílio de dois conselheiros internacionais, um editor literário, um técnico de gravação, e um ex-trompetista. Não posso crer que um crítico musical não se dê conta do trabalho realizado, e da orquestra que encontrou quando foi chamado para assumir o meu lugar.

E ainda me restou tempo para ser o regente titular, (fazendo em média o dobro de programas que faz o maestro Tortelier esse ano), moldando a sonoridade da orquestra, ampliando o seu repertório, gravando e viajando com o conjunto.

Enfim, o espelho pode impedir Nestrovsky de ver a realidade como ela é, concentrando toda a sua atenção sobre si mesmo. Mas terá de fazer um trabalho sério e de qualidade frente à OSESP, sem narcisismos, ou sua gestão corre o risco de ser tão superficial e verborrágica quanto as críticas que costumava escrever.

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20 respostas para Os velhos horizontes da OSESP ou Narciso acha feio o que não é espelho…

  1. Antônio Carlos Ferreira disse:

    Não li a matéria da revista Concerto, mas a julgar pelas passagens aqui transcritas, o atual diretor artístico (assim mesmo com letra minúscula) da OSESP só pode estar de sacanagem. Das duas uma, ou ele é burro (o que não acredito), ou simplesmente pretende com essas declarações aos poucos apagar o passado da orquestra, tentar fazer o público esquecer do trabalho de Neschling. Isso sim é sacanagem.

  2. Caro Maestro , comentei em meu blog no dia 24/10/10 a programação da OSESP de 2011.

    PROGRAMAÇÃO DA OSESP PARA 2011- COMENTÁRIOS
    Acaba de ser anunciada a programação da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (OSESP) para 2011. Uma mescla de períodos históricos, compositores famosos, grandes solistas ,regentes convidados ilustres e interessados na vaga de regente-titular faz parte da programação. Nada de diferente , a programação repete a fórmula do antigo regerente-titular , John Neschling.

    Yan Pascal Tortelier, o atual regente-titular, comandará 7 dos 58 concertos programados. Serão mais 23 regente-convidados. É pouco para o comandante, este tem que participar, a OSESP deve ser sua prioridade, um oficial tem que estar ao lado da tropa. Quando o maestro Neschling gerenciava tudo na OSESP milhares esbravejavam, reclamavam de seu alto salário. Até o presente momento não li, sequer ouvi de algum colega um mísero comentário sobre o salário de Yan Pascal Tortelier. Nem sei e poucos sabem quanto ele fatura por mês, é em real ou em dólar? Nenhuma voz se levantou, ninguém rasgou o verbo para reclamar da eterna ausência do maestro francês. Para os estrangeiros tudo,a condescendência ,aos brasileiros o porrete.

    As especulações para saber quem será o novo regente-titular ganham força a cada concerto. O burburinho está no ar, as madames de bolsas importadas e jóias caras estão comentando com as amigas nos corredores, os assinantes de ternos e gravatas estão curiosos. Todos querem a vaga, muitos nomes são comentados. Yan Pascal Tortelier parece ser carta fora do baralho para 2012. Uma bela dondoca siliconada e de vestido reluzente comentou com a amiga recém saída do salão de beleza que existe um desgaste entre o regente e os músicos da orquestra, tudo fofoca segundo a direção. A gestão da orquestra será compartilhada, novidade por estas terras, a tendência de descambar para a bagunça é grande.

    A OSESP, mais uma vez aumenta o preço dos ingressos e das assinaturas. O costume de termos ópera em concerto foi definitivamente esquecido, enterrado nos confins da estação de trem. Estão previstas gravações de CDs e a ênfase no repertório nacional continua forte.

  3. adolpho tuchman disse:

    Como assinante da revista Concerto, já tinha lido a referida materia.As observações
    do maestro me parecem pertinentes e oportunas.Ponto para a foto do espelho,total-
    mente fora do contexto.

  4. Odair disse:

    Há muitos anos mantenho uma relação estreita com a OSESP, fui assinante por muito tempo e faço questão de manter uma relação de carinhosa amizade com alguns músicos da orquestra. O que se ventila pelos corredores é que o senhor Nestrovsk sonha em transformar a orquestra e a sala São Paulo em um império com emprego garantido para todos aqueles que o cercam. E isso estende-se não somente a cargos administrativos, como também a postos na orquestra, coro, artistas convidados, etc…etc…,e entrar na lojinha é dar de cara com cds deste cidadão!
    Isso quando nós que acompanhamos o crescimento da orquestra esperávamos um tal “nome de peso” tanto para a direção artística quanto para o posto de regente. Não vi tal nome de peso em nenhum dos dois cargos. Se este senhor não conseguiu sequer escrever uma crítica legível em anos (ou pelo menos uma resenha que soasse diferente das demais) como esperar que consiga direcionar artisticamente a orquestra?E Tortelier é uma tristeza de se ver e ouvir. Ou seja: a nossa OSESP se transformará em breve numa orquestra medíocre.

  5. Bentinho disse:

    É lamentável o que está ocorrendo nos bastidores da Osesp.
    Concordo com o Odair em 100%.
    Vejo que o cidadão está deslumbrado, num mundo completamente novo de benfeitorias fáceis e posição de liderança. A cada final de semana, escuta-se uma novidade descabida (ou duas).
    Conversando com músicos, vejo uma turma de mãos atadas, onde se têm medo de dar opiniões e serem brindados com um cartão vermelho, eles não tem força, estão à mercê do diretor artístico e diretor executivo.
    O critério para escolher, e parece que já está certo quem virá segundo comentários, é ridículo… Mari Alsop seria a escolhida!! e o motivo maior é que ela é casada (com uma mulher) e tem uma filha(o) adotada(o), dando ares de vanguardismo e modernismo a esta escolha… já que estamos em tempos modernos!!
    Sobretudo, o que me espanta, é que foi anunciado uma gravação em 2011 da Sinfonia Alpina (Strauss), por causa do sucesso na abertura do festival de Inverno em Campos do Jordão… assinantes aguardando esta maravilha que seria regida pelo Frank Shipway… não acontecerá!!
    Motivo: Narciso!!
    É simplesmente ridículo e insuportável ver Tortelier reger uma orquestra deste porte, é de um “pouco caso” e “incompetência” (além de outros adjetivos) absurdos!!
    Essa turma está querendo colher que tipo de louros?? que tipo de aplausos?? e de quem?? não têm competencia pra continuar um trabalho duro e reconhecido, e se acham no papel de visionários…
    Quem?? quem?? poderá nos socorrer??
    seria cômico se não fosse trágico!

  6. Eduardo disse:

    Não acho que a maior parte da culpa seja do Tortelier. Ele é um bom regente (se não fosse não teria sido chamado como convidado ainda no tempo do Neschling) e algumas de suas gravações com outras orquestras receberam críticas bastante favoráveis (o que, concordo com Neschling, é um critério palpável para medir a qualidade do trabalho). O problema foi ter vindo já sabendo que ficaria pouco tempo e que, pelos poucos concertos por ano, dificilmente conseguiria imprimir seu “estilo” ou realizar um projeto com a orquestra (por exemplo, gravar obras do repertório francês, que obviamente ele conhece bem). O comentário do Bentinho levanta outro problema: os cd’s. Ninguém sabe o que será gravado e se e quando será lançado. A Revista Concerto de out/2010 tinha uma publicidade anunciando um novo cd, que descobri pela própria Revista (após contato desta com a orquestra) seria da gravação do concerto de Dvorák com Antonio Meneses. O cd, até agora, ainda não foi lançado e perdeu-se a oportunidade de fazer o lançamento durante uma das poucas e concorridas passagens do violoncelista pelo país (semana passada, quando tocou Shostakovitch e Elgar). O site lista cd’s que só foram lançados pelo selo BIS (sueco) no exterior, sem mencionar esse detalhe (acho relevante) e algumas vezes antes mesmo do lançamento aparecer no site da gravadora. Custa avisar com antecedência quais serão os lançamentos do ano?

  7. Eduardo disse:

    Em tempo. Acho inútil (respeitando as opiniões contrárias) discutir nomes para a sucessão de Tortelier, por suas razões: 1) o público não participa do processo de escolha (não entro no mérito se deveria; o fato é que não participa) e somente seremos comunicados quando tudo já estiver decidido, com um contrato (ou pré-contrato) já assinado; 2) o problema maior é o modelo adotado. Ou alguém acha que um Reiner, Szell ou Ormandy teriam realizado o trabalho que realizaram e deixado a herança que deixaram sem escolher o repertório da orquestra e realizando apenas 7 concertos ao ano? Marin Alsop me parece um nome muito bom (musicalmente, pois prefiro não acreditar que as circunstâncias mencionadas acima possam influir na contratação de alguém, seja um um regente seja um pintor de paredes), mas fica difícil imaginar um americano trocar Baltimore por São Paulo, especialmente diante da normal e salutar ambição de dirigir orquestras de maior prestígio nos EUA ou Europa. A não ser que o modelo mude e ela tenha tempo e condições de realizar um trabalho que dê visibilidade internacional à OSESP e sirva de cartão de visitas.

  8. Luciano Cesar Morais disse:

    Maestro Neschling,

    Como estudante de música, muitas vezes fui contra o senhor em situações envolvendo tratamentos polêmicos com músicos competentes, como foi o caso de uma numerosa demissão que levou embora Fábio Cury, Renato Bandel e outros excelentes profissionais.
    Discordâncias são naturais em um ambiente democrático.
    O que está acontecendo agora, entretando, me faz voltar meu apoio a você, por ver que o trabalho realizado na OSESP está resistindo (ninguém sabe até quando) a uma série de descasos do Estado. Sem um diretor artístico competente e um maestro presente a orquestra está perdida a longo prazo. E a ambas as atividades, você se dedicou com afinco e presença, mesmo que debaixo de críticas fundamentadas.
    O tratamento que dão à orquestra hoje nos faz pensar que, por mais que sua gestão instigasse questionamentos, John Neschling era um problema com o qual todos nós (músicos, público, professores e críticos) preferíamos continuar lidando. Não sei se está claro que estou fazendo as pazes com o seu legado…
    Desejo toda a sorte do mundo na nova companhia de ópera.
    Cordial abraço e obrigado pelo blog.
    Luciano Morais

  9. Recebi este “semibreves” enviado por um amigo que pertence a OSESP desde há muito tempo e é músico extremamente competente.
    Durante meus tempos de estudante, aí por volta das décadas de 60 e 70, e mesmo depois, na década 80, até o falecimento do querido e horrivelmente desprezado maestro Eleazar de Carvalho, eu pensava: será que um dia teremos uma orquestra digna neste nosso amado Brasil? Nunca perdi a esperança. Eis que um dia sou convidado para visitar as obras iniciadas naquela que viria a tornar-se a super famosa Sala São Paulo – a sede que a OSESP nunca teve antes. Que maravilha! Meus sonhos estavam se realizando. Não fui ao concerto de inauguração desse belo templo da música porque não fui convidado, embora, poucos meses antes, a Nova OSESP tivesse estreado a minha 3ª Sinfonia no Theatro São Pedro. São Paulo mereceu e ganhou uma Orquestra de alto nível para tocar em local próprio. John Neshling foi aquele que tornou realidade o sonho não só meu, mas de inúmeras pessoas. Porém, tem um defeito (ou qualidade?), fala o que pensa e daí… armaram o golpe. Num repente, numa atitude intempestiva (não sei de quem), foi posto fora. Que lástima. Como é que alguém, seja lá quem for (e obviamente não entende nada de música) o despede como se fosse um mero estafeta de plantão. Temos muito para crescer mas, falta ainda um tanto da educação que leva à cultura. Quando disse que pessoas que estão lá em cima e não entendem nada de música (têm ouvidos, mas não ouvem), quis dizer que não perceberam o quanto foi importante para a cultura de nosso país a passagem de um homem de visão como Neshling. Ele criou um parâmetro musical que não tínhamos. Hoje, para começar, ouve-se orquestras de estudantes soando afinadas e organizadas, e com isso podendo se dedicar a questões muito mais estilísticas. Não me refiro a Experimental ou a Estadualzinha de São Paulo, mas sim, a orquestras de muitos lugares do Brasil. Foi isso que ele fez. Não se deram conta os surdos. É claro que estava na hora de o John passar a bola para outro que continuasse o seu trabalho, mas com calma e tudo muito bem pensado. Doze anos de trabalho intenso e dedicado eram suficientes para realizar tudo de bom que conseguiu. Estava mesmo na hora de a orquestra passar por outras experiências. A transição deveria ter sido feita com inteligência e sensibilidade, conforme previsto por ele próprio
    Perdoai-os, maestro Neshling, por que não sabem o que fizeram e estão fazendo com essa jóia que é a NOSSA OSESP. Oxalá acordem antes que os acordes dessa orquestra desafinem.

  10. maria amaral disse:

    São vozes competentes essas!

    Mas o que dizer de um público que não é capaz de se indignar?
    Que se mantém “neutro “e numa atitude dita “equilibrada “quando estão praticando
    contra o seu maior bem,a sua melhor orquestra, um verdadeiro crime?

    Esse foi o meu maior susto.
    A percepção de que ainda não mereciamos uma OSESP!
    Só a temos devido aos esforços de Eleazar e de Neschling,realmente!
    Porque se dependesse de nós, público,deixariamos tudo escorrer ladeira abaixo,
    e iriamos festejar em algum barzinho da esquina,ou fazer média com o liderzinho do momento,mesmo que do assunto ,ele não entendesse nada.
    Fui a parte do público que ficou gritando sózinha com alguns poucos,mas não deixo de pertencer a este grupo.
    E porisso,eu sinto muito.
    Vamos reconhecer tudo isso daqui a alguns anos.
    Espero que aí,não seja só saudade!Espero,mesmo!!

  11. Mary-Helen TE disse:

    Quanto ao aumento do preço das assinaturas, ninguém comentou que além do aumento de preço, em 2010 as assinaturas tinham entre 8 e 9 concertos cada. Em 2011 são 8 ou 7 concertos. Portanto, um a menos. O aumento é maior do que parece e a temporada começa somente em 17 de março!

    O ano passado o diretor artístico deu entrevista e falando sobre a turnê da Osesp na Europa, disse que os ingressos estavam esgotados, tamanho o sucesso. Achei muito estranho pois, acostumada a passar parte do ano na Europa, sabia que na época as programações para a temporada 2010/11 ainda não tinham sido anunciadas. Só poderiam ser concertos fechados. Hoje, por curiosidade, fui comprar entradas para o Musikverein através da Jeunesse pois o concerto é parte de sua temporada, para Salzburg Festspielhaus e Philharmonie Cologne e pude “comprar” entradas em todos os locais escolhidos. Portanto era uma inverdade. Apenas uma jogada de marketing para um público completamente desavisado e inocente.

    Muitas vezes agora somos obrigados a assistir em telão, antes do concerto, propaganda da Osesp!!!! Um absurdo. Como a sala fica um breu, não há como fugir!

    Outro dia tivemos uma aula, dada pelo diretor artístico que se apresentou antes da entrada do regente, tentando nos convencer a nos considerarmos acima de tudo latinos e não somente brasileiros etc etc

    Enfim, uma verdadeira lástima. Vergonha maior é ver os CD´s do diretor artístico a venda na loja de CD´s da Sala São Paulo.

    Para finalizar, agora os assinantes que não compareceram em 100% dos concertos de suas assinaturas estão sendo penalizados. Um absurdo atrás do outro. Se é assim, por que não disponibilizam um número de telefone na bilheteria para que os assinantes possam avisar que, devido ao falecimento de um ente querido ou a um outro problema imprevisível, na última hora não poderão comparecer.

    Outro maior é a notícia do último Diapason d´Or no site da Osesp, SEM MENCIONAR o nome de Neschling.

    Aliás, estão apagando completamente o nome de Neschling, como se a Osesp atual fosse obra divina de seus músicos.

  12. maria amaral disse:

    Nós não nos indignamos!

    Conseguimos,a duras penas,esta maravilha de orquestra,e depois,deixamô-la ir,sem maiores reações,sem perceber o quanto estamos perdendo,esta que é a verdade.
    Depois,só nos resta lamentar e sentir saudade.

    Onde está a nossa capacidade de lutar pelo que é nosso?
    Onde?

  13. Ita Drucker disse:

    Si nós nos unissemos para lutar, tudo seria diferente. Tenho lutado e muito com a nova diretoria (que é uma droga) sôbre falta de 50% de desconto para aposentados.
    É uma luta insana, que espero recomeçar agora novamente. O Neschling pode ser
    egocentrico, e outras coisas mais que dizem, MAS FOI ELE QUE FEZ A OSESP! UMA
    ORQUESTRA ÓTIMA E UMA SALA SÃO PAULO.

  14. alberto disse:

    Eu diria mais… sou assinante há muitos anos e vou 2 vezes a cada semana ver a Osesp.
    O nível artístico está caindo, quando Tortelier rege então a diferença é brutal. Acho ele um regente fraco e sem envolvimento com a orquestra.
    As peças de Ravel, que farão parte do programa da turnê, foram muito mal executadas. E nas sinfonias então, o Tortelier se perde completamente, com andamentos equivocados, um som bruto e confuso, ás vezes chega a incomodar os ouvidos!
    É só comparar os concertos com os bons regentes convidados e com ele. Parece outra orquestra. Falta refinamento!
    A orquestra parece perdida, os naipes desequilibrados… enfim, uma tragédia. E ninguem fala sobre isso, sequer a imprensa. O Nestrovski é uma figura lámentavel, não entendo o que ele faz ali. Precisamos de pessoas DO RAMO, é o mínimo… Estou desolado com a situação da nossa querida orquestra.

  15. Odair disse:

    um exemplo muito ilustrativo dos novos rumos da nossa orquestra:

    PEDRA

    Por Arthur Nestrovski

    A pedra está sempre ali,

    no meio do caminho.

    Nem ela sabe se estava lá e fizeram o caminho ao redor,

    ou se fizeram o caminho e ela apareceu depois.

    Não tem a menor importância,

    porque o negócio da pedra é ficar.

    Pedra não reclama de nada.

    Pedra não faz mal a ninguém.

    É diferente quando alguém joga uma pedra, mas a pedra não tem culpa.

    As pedras se entendem muito bem.

    Toda pedra vem de outra pedra maior,

    que vem de outra maior ainda.

    Quer dizer: toda pedra é um pedaço de pedra.

    Isso tem a maior importância para a república das pedras.

    Declaração Universal dos Direitos da Pedra:

    Um pedaço de pedra é uma pedra.

    (Reprodução “Folha de S. Paulo”, 29/06/2003)

    E eu pergunto para que servem as formações tão alardeadas no currículo de Arthur nestrovsk como consta nos últimos livretos da OSESP se o lirismo do diretor-artístico da maior orquestra que temos produz coisas pavorosas…verdadeiras odes à imbecilidade como o texto acima. alguém ainda se lembra das críticas de concertos escritas por ele? Chegava a dar raiva!!!!! Certa vez escrevi para a Folha de São Paulo reclamando porque achava um absurdo que um crítico com uma escrita tão rasa escrevesse sobre concertos no maior jornal do país. pois bem, a vingança foi colocarem o homem na direção da maior orquestra do país. Bem-feito para mim. Uma verdadeira “pedrada”.

  16. hahahahahahahahahahahahahahhahah

    Muito boa,Odair!

  17. martha corazza disse:

    Caro maestro Neschling
    Inconformada até hoje com o estilo sorrateiro, arbitrário e rasteiro que o governo de São Paulo imprimiu à demissão daquele que foi o grande responsável pela recuperação e elevação da OSESP, leio e ouço com horror não apenas os seus comentários como as informações transmitidas por amigos e conhecidos que continuam acompanhando os concertos na Sala São Paulo. Triste situação e, o que é pior, tristes horizontes para a orquestra paulista. Ao grande erro de incentivar os músicos da orquestra a participar ativamente da palhaçada encenada pelo patético grupo tucano encabeçado por João Sayad (no momento, algoz do que resta da TV Cultura) e pela triste figura daquele cínico FHC, seguiu-se o erro de dividir o comando entre um regente titular literalmente ausente (além de frágil em expressão artística e regiamente pago, é claro) e um comando artístico que beira o grotesco. Para piorar, temos uma imprensa especializada que cumpre um papel desinformador quando aceita sem questionamentos a versão vendida pelo entrevistado (coincidentemente representante de um de seus anunciantes), ignora o princípio do “outro lado”, fundamental para garantir o pluralismo de opiniões e contribui portanto para sedimentar a falta de memória e de pensamento crítico, ampliando apenas a letargia do público em relação à orquestra. Tudo muito triste para nós, admiradores da boa música e contribuintes paulistas.

  18. Roberto Barreto, de Catende disse:

    Decerto não há pedras ali por perto da Folha de S. Paulo, na Barão de Limeira, mas alguém bem que podia ter arrancado umas pastilhas daquela horrorosa fachada e jogado nesse poeta de araque.

  19. Lucas disse:

    Lamentável o descaso atual com o passado da OSESP…

    Estou rindo até agora com a “pedrada”do Odair…….!

  20. Luciana disse:

    Pudemos presenciar também nesse fim de semana que a regencia coral não está muito coerente… Normal para o atual padrão osesp pelo que podemos observar.

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