Pílulas de vida do Dr. Ross…

Outro dia, um jornalista me perguntou o que eu achava da OSESP atual. Respondi que não sabia porque não tenho tido contato com a orquestra. Mas disse que havia, sim, parâmetros claros para se julgar a atual instituição: um deles são os prêmios e honrarias que a OSESP recebeu nos últimos dois anos, sob nova direção artística e musical. Ignoro se o jornalista foi investigar e qual o resultado. Sei, isso sim, que a OSESP foi novamente indicada para o Grammy Latino pela gravação que fiz com a orquestra da Sinfonia Manfred de Tchaikowsky. E na semana passada a gravação que fiz com a Osesp, para o selo Bis, da “Floresta Amazônica” de Villa-Lobos foi agraciada com mais um o Diapason D’or. Essa era uma constante da minha gestão artistíca, que até hoje rende frutos. Dá, sim, para comparar.

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Na matéria sobre a Osesp que saiu na Folha de São Paulo na semana passada, o jornalista publicou as respostas que lhe enviei por e-mail, embora não integralmente. Fui conciso, e só me estendi um pouco quando me referi à minha mágoa, consequência da forma deselegante com que fui demitido de minhas funções na orquestra. Ainda na mesma matéria, Arthur Nestrovsky, atual diretor artístico da Fundação OSESP, referiu-se a diferenças “mensuráveis, palpáveis e reconhecidas internacionalmente” entre o meu e o trabalho de Tortelier frente à orquestra. Pena que não as especifique. Talvez sejam novos parâmetros de qualidade. Criticou ainda as medidas judiciais que infelizmente estou sendo obrigado a tomar contra a instituição. A falta de elegância que a direção da instituição tem demonstrado quando o assunto é John Neschling já não me surpreende mais. O que me espanta é a forma como o atual diretor artístico da Osesp despreza a sentença proferida em primeira instância pela Justiça do Trabalho, que constata peremptoriamente os meus vínculos trabalhistas com a Fundação Osesp. Qualificar uma ação ganhadora de “espúria” parece ser um descaso pela Justiça do Trabalho e pelos direitos do trabalhador, seja ele quem for. Acusar-me de tentar sonegar impostos é mais grave e entra no campo da calúnia. Pensarei na melhor forma de reagir a essa atitude ultrajante.

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NO entanto, triste mesmo para mim, é ler nas respostas do novo diretor artístico da mais importante orquestra da América Latina que “se chega num cargo destes acima de tudo para aprender”.Ora, é na Academia da Osesp que se chega para aprender. Ou em orquestras menores e menos importantes. Que o digam Deborah Borda, Diretora da Los Angeles Philharmonic ou Zarin Mehta, da New York Philharmonic. Ninguém ocupa um posto desses para aprender. Nem Henry Fogel que, quando à frente da Chicago Symphony, imprimiu sua marca, fruto do que tinha aprendido em outros postos de menor importância e nas escolas de administração artística que imagino tenha cursado. A Osesp não pode ser laboratório de experiências.
Arthur adianta na matéria que não tem tempo de ler blogs, pois é diretor artístico da OSESP. Faz mais: dirige shows da Renata Rosa e grava Cds com seu violão. Realmente, não deve sobrar tempo para nada. Ao menos fica o consolo de que não é comigo que ele vai se chatear.

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A Companhia Brasileira de Ópera encontra-se nessas duas semanas em recesso, descansando depois de uma longa etapa que terminou nos últimos dias de setembro no Recife, com cinco casas lotadas. Cambistas são sempre um fenômeno desagradável, mas sua presença é fruto de grandes sucessos. Tivemos cambistas em Salvador e em Recife. Em Salvador não consegui entender porque, uma vez que havia lugares disponíveis à venda, mas no belíssimo Santa Isabel do Recife o teatro regorjitava público, tanto nas récitas adultas quanto nas infantis.
Dentro de duas semanas iniciaremos nossas duas últimas fases, a primeira em Santos e São Paulo (teatro Alfa) e a segunda em Ribeirão Preto e no Rio de Janeiro (Theatro Municipal). Serão os espetáculos de encerramento de uma temporada que nos levou a todo o País, num total de mais de 80 récitas, quase todas cheias de um público receptivo e animado. Estou ansioso por poder mostrar o resultado desse ano de trabalho ao público paulista e carioca. Será o ponto alto de nossa primeira temporada.

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Estou na Europa, e na semana que vem vou abrir com um concerto de gala (Segunda Sinfonia de Mahler) a temporada de Verona, que começa no seu belo Teatro Filarmônico e acaba na Arena com a grande temporada de verão. Serão três concertos seguidos e espero poder contar aqui nesse blog um pouco dessa experiência. Não conheço minhas solistas (Thalia Or e Susanne Kelling) mas já estive frente à Orquestra e ao Coro de Verona quando dirigi o “Macbeth” na Arena. Mas não creio que essa experiência e esse repertório tenha algo que ver com o que encontrarei semana que vem.
E na semana seguinte volto à mesma sinfonia, mas desta vez frente à Orquestra Filarmônica de Liège, com o Coro de Düsseldorf, em dois concertos que serão apresentados um em Liège e outro em Maastricht, na Holanda, uma das sedes da Comunidade Européia. Duas semanas seguidas, 5 récitas da segunda de Mahler com duas orquestras diferentes em três países, uma bela aventura que quero compartilhar com vocês.

E ainda sobrou tempo para escrever nesse blog…

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4 respostas para Pílulas de vida do Dr. Ross…

  1. Baby Field disse:

    Parabens,maestro, por mais este merecido prêmio.
    E sinceros cumprimentos pela Companhia de Ópera e pelos Concertos que virão,e que devem ser muito bem sucedidos,também.
    Outra coisa não se poderia esperar,se não, que tudo corresse desta forma.

    Vivi e acompanhei este período doloroso aqui em São Paulo,maestro.
    Devo dizer-lhe que muitas vezes me perguntei…”Será que está havendo
    uma loucura coletiva?”

    Mas,as coisas mudam e acredito que o momento do desagravo, da reparação,
    está se aproximando.Será de justiça e muito importante!
    E acho que todas as atitudes tomadas serão,não reparadas e consertadas,pois isto não mais é possível.
    Mas, respeito, consideração, pedido de desculpas,são indispensáveis….e pessoas capazes disto estão sendo reeleitas,graças a Deus!

    As coisas serão,pelo menos ,em parte,reparadas,assim o espero.
    Dias melhores virão.
    Grande abraço,maestro!

  2. a cantora careca disse:

    Mandou bem maestro, sucesso e bons ares.

  3. Odair disse:

    “Arthur Nestrovski, diretor-artístico da OSESP” que grande piada de mau gosto. Soaria um pouco mais engraçado se boa parte do dinheiro não saísse dos nossos bolsos.

  4. Mary-Helen TE disse:

    Não posso deixar de pensar se o salário do Diretor Artístico vai crescendo à medida em que ele vai aprendendo, até chegar no patamar do salário de um Diretor Artístico de grande experiência que é o que a Osesp mereceria.

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