Mais pílulas

Já tivemos tres récitas lotadas do Don Giovani no Teatro Colón. Isso só faz com que aumente a minha perplexidade: por que diabos não conseguimos ter uma estrutura parecida no Brasil? Afinal estamos num momento conjuntural de nossa economia e, comparando-se com a Argentina, o Brasil navega em mar de almirante. E no entanto continuamos sem uma única estrutura lírica de qualidade internacional.
Continuo decepcionado com o que sei do Teatro Municipal de São Paulo. De tempos em tempos uma voz se levanta, ouvimos um eco cá e lá, mas a falta de transparência continua, a falta de programação, tanto física quanto artística e administrativa é escandalosa, e enquanto isso, o tempo vai passando. A inexistência de um diretor artístico qualificado é desastrosa para o futuro do Teatro. Será necessário que se encontre uma pessoa com grande experiência lírica, com conhecimento e prática na administração artística de um teatro de ópera, com qualidades musicais incontestáveis, para que dentro de dois ou tres anos possamos ter um teatro funcionando com alguma regularidade. E, por favor, não pensem que estou me candidatando para o cargo. Se isso não for feito já, serão mais anos de espera e mediocridade. É realmente desesperador ver o tempo passar, promessas vãs serem feitas, com anexos, estacionamentos e tudo o mais que seria fundamental para o teatro, se não há nada sendo feito nem para modernizar o palco .

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Um honrado cidadão paulista, o senhor Roque Citadini, que quase sempre faz comentários pertinentes em blogs culturais, entre eles o de Luis Nassif, pisou na bola outro dia quando se referiu a mim de forma totalmente equivocada. Seu raciocínio é de um reducionismo atroz além de chegar a conclusões confusas. Diz o Sr.Citadini, ao comentar o abandono das orquestras, no dia 17 de julho, que “o governo federal só está apoiando o projeto do Barbeiro de Sevilha por razões específicas e claras. Porque o Maestro vive elogiando seus candidatos. Como sempre fez quando dirigia a OSESP e elogiava o PSDB. E nada mais.”
Ora, ora, Sr. Citadini, por acaso concordo que o governo federal não fez quase nada pelas orquestras brasileiras nem pela lírica nos últimos 20 anos. Mas se fez no último ano, merece, sim ser elogiado. Não ando por aí elogiando “candidatos do PT”. Outro dia conheci Dilma Rousseff e conversei com ela sobre ópera. Fiquei espantado com seu conhecimento a respeito e gostei da sua opinião sobre a necessidade de se apoiar mais a ópera no País, a partir do que soube do nosso Barbeiro. Essa é toda a minha relação com “candidatos” do PT. Elogio, sim, o Ministro Juca Ferreira e sua equipe por terem acreditado num projeto que apresentei e realizei. E elogiei sempre, e continuarei elogiando o Governador Mario Covas, que encampou um projeto extremamente ambicioso em São Paulo, e o seu Secretário da Cultura, Marcos Mendonça, que soube sonhar e realizar mais na sua pasta do que todos os outros secretários, antes e depois dele, com quem tive a oportunidade de me relacionar. É ridículo pensar ao contrário: eu elogio, logo realizo. Não é bem assim: quando me oferecem a oportunidade de realizar algo que considero importante para a nossa música sinfônica ou lírica, eu sinto-me na obrigação der elogiar e agradecer quem teve a visão de nos dar essa oportunidade. Tivesse eu essa varinha de condão que o Sr. Citadini me confere em seu raciocínio simplista, a música no nosso País estaria muito melhor do que está.

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Uma resposta para Mais pílulas

  1. Agradeço a forma cordial com que viu nossa “divergência” .O assunto naquele comentário não era própriamente o Maestro mas uma critica ao que os partidos realizam (ou não) no campo da cultura especialmente na àrea da música (orquestras ou óperas). O que disse é que não temos partidos que pensam a cultura. Falei dos anos e anos de governos-municipais, estaduais e federais- sem grande ação nesta área. Não disse que o maestro montou o projeto Barbeiro de Sevilha para apoiar o governo. Mas digo que o governo federal sómente apoiou este projeto porque sabe de seu conflito com o ex-governador Serra. E aqui confesso que-embora seja legítimo a qualquer cidadão- vejo com dificuldades uma ação do Estado ser personilficada em elogios politicos. Sempre elogiei -e defendi- os projetos da Osesp e, naquele mesmo dia no blog do Nassif, disse que precisaríamos ter um projeto inovador(como da Osesp) para o Municipal de São Paulo que vive um momento tristre ( para dizer o mínimo). Sem me estender, entenda sr. Maestro que o governo federal não apoiou o Barbeiro por uma nova politica de Cultura. Sabia que o maestro estava “mordido” com o ex-governador Serra. E que precisamos pensar mudanças profundas nestas àreas. Por último – sempre achei- que um trabalho dedicado e eficiente como o do sr. deveria passar ao largo de qualquer manifestação politica partidária e pessoal. Talvez seja dificil. Um abraço , e até sexta quando estarei em Buenos Aires para ver o D. Giovanni e o novo Colon.

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