Repensando o Teatro Municipal

Fiquei sabendo, ao ler um artigo assinado por João Luis Sampaio do Estado de São Paulo, que a diretora do Teatro Municipal pretende me enviar uma carta, esclarecendo pontos e dúvidas que eu havia levantado neste blog. Confesso que fiquei surpreso. Afinal, a Secretaria Municipal de Cultura e a direção do Teatro não me devem nenhuma satisfação. Sou um simples observador do nosso cenário musical. Se a diretoria deve satisfação a alguém é aos artistas e funcionários da instituição e sobretudo ao público que paga impostos para poder usufruir de sua arte da melhor maneira possível.
A orquestra do teatro está parada há mais de um mês, e sua programação é feita de forma improvisada e extemporânea. Não se sabe até agora se a orquestra participará ou não do Festival de Campos de Jordão, e se não o fizer serão quase 3 meses sem nenhuma produção. O ballet da Cidade está sem projeto e o coro não sabe se canta ou não, quando e onde. Todo o resto do aparato burocrático só se justifica se for para apoiar a produção artística do Teatro. Estando a produção artística parada desta forma, a burocracia perde o sentido e só existe para se alimentar a si própria.
Sempre defendi um orçamento alto para a OSESP, e quando este fato era criticado, eu argumentava que a qualidade dos serviços prestados e a emanação de um equipamento cultural daquela qualidade justificavam plenamente o dinheiro gasto. Tudo se resume à relação custo/benefício. Sempre afirmei igualmente, que qualquer pequena verba destinada a um equipamente cultural ineficiente e sem qualidade é um desperdício dos recursos públicos. Sob este ponto de vista, o Teatro Municipal, com sua centenas de funcionários, e despesas fixas altíssimas, é um dos maiores desperdícios de verbas públicas de que tenho conhecimento.
Mas é preciso notar que esse fato, embora de conhecimento geral, não provoca nenhuma reação da sociedade paulistana. Se, por um acaso a Ópera de Viena parasse de funcionar sem explicação , se o Metropolitan de Nova Iorque fechasse suas portas inesperadamente , pagando todas as suas contas e mantendo todas as suas despesas sem produzir, o mundo viria abaixo. Na Áustria, provavelmente um inquérito estatal responsabilizaria quem estivesse gastando a verba pública sem resultado. Nos Estados Unidos, a sociedade civil, que mantém o Metropolitan, teria retirado as verbas destinadas à sua manutenção e todo o elenco e funcionários estariam desempregados.
Em São Paulo, mantém-se fechado um equipamento sustentado pelos impostos dos cidadãos, com promessas incertas para uma reabertura no glorioso centenário do Teatro, e nada acontece. Ninguém reclama, ninguém é responsabilizado, ninguém sabe de nada. O silêncio da sociedade civil, a falta de indignação e espanto só avalizam a incompetência dos dirigentes.
A importância de uma orquestra sinfônica ou de um teatro de ópera se mede em grande parte pela inserção que esses equipamentos têm na sociedade onde atuam. Foi somente pensando nisso que inventamos o “slogan” da OSESP – “pode aplaudir que a orquestra é sua”. Lembro-me muito bem de que quando li pela primeira vez um comentário sobre a OSESP numa coluna social de um grande jornal paulista pensei comigo mesmo que estava começando a atingir o meu objetivo: fazer com que a OSESP fizesse parte do dia a dia da cidade e seus habitantes. Não era nem tão importante que todos fossem assitir à OSESP. O que era fundamental é que a cidade e seus cidadãos se orgulhassem dela. E que aqueles fossem assistí-la, saíssem satisfeitos, com a impressão de que seus impostos foram bem aplicados.
Nada disso acontece com o Teatro Municipal. Sua existência é ignorada não só pela grande parte da população paulistana que não se interessa pela sua linguagem (e a quem não é oferecida a oportunidade de conhecê-la), como ela é desprezada também pelo seu público potencial. A imprensa raramente investiga com profundidade essa realidade perversa.
A população não tem noção do que se pretende fazer com o Teatro. Sei que os trabalhos de reestruturação do palco ainda não começaram. Será que algum especialista em ópera e em ballet foi consultado para que se conheçam as verdadeiras necessidades de um palco moderno? É importante lembrar que o Teatro Municipal é uma casa lírica típica do final do século XIX, primeiros anos do século XX, e portanto, completamente inadequada para as produções líricas contemporâneas, que fazem uso de tecnologias avançadíssimas e de linguagens que necessitam de uma infraestrutura física diferentre daquela que o teatro está apto a oferecer. Uma reforma do teatro deveria pensar sobretudo na adequação física às necessidades contemporâneas de produção. E isso não se refere somente ao palco, mas a todos os equipamentos do teatro. Lembro-me de um Teatro Municipal com coxias acanhadas, sem armazém para guardar cenários e equipamentos .
Será que se pensa na construção de um anexo que permita o funcionamento de seus corpos artísticos e de sua administração sem interferir na produção de espetáculos diários? Será que se pensou num estacionamento para receber o público?
Qualquer inteferência que se faça no Teatro Municipal, por menor que seja, deve ser acompanhada de minuciosa atenção à acústica, que já é deficiente devido às diversas reestruturações pelas quais a casa passou. Existem no mundo poucas empresas de consultoria acústica capazes de enfrentar esse desafio. Será que alguma delas foi chamada para se manifestar?
Pode ser que tudo isso esteja sendo contemplado, mas a verdade é que nós cidadãos, amantes e profissionais da música, não sabemos de nada. Não percebo transparência no processo de reestruturação do Teatro Municipal.
Soube que o projeto prevê uma Fundação de direito público, algo semelhante à Fundação Padre Anchieta. Essa forma de Fundação, cuja burocracia é tão complexa e engessada quanto ao da administração direta, teria que contratar, por sua vez, uma OS (que também teria que ser criada) para gerenciar o Teatro. Isso, na minha opinião, só triplica a sua burocracia . Imagino um cenário kafkiano: a fundação de direito público, ligada ao Estado, financiada primariamente pela Prefeitura, com seus funcionários e burocratas, contrata uma OS com seus funcionários e burocratas, a quem repassa a verba da Prefeitura para que administre um equipamento cujos funcionários e burocratas, salvo correção, serão funcionários públicos.
Perde-se uma oportunidade de ouro para afastar o fantasma da burocracia paralisante e o controle direto do governo e cria-se um monstrinho híbrido e ineficiente.
O atual Secretário Municipal de Cultura, na única conversa que tivemos, há anos, quando a OSESP ainda estava buscando a sua solução administrativa, referiu-se ao modelo que havíamos escolhido como “privatização” da OSESP, contrapondo que achava que o Estado tinha perfeitas condições de administrar diretamente uma instituição como a OSESP. Anos depois, parece que ele se convenceu de que há de se encontrar modelos melhores do que o da administração direta. E o que ele faz? Propõe um modelo que não resolve nada e que condena o Municipal a outras tantas décadas de ineficiência.
Se há medo de se perder o controle sobre o Teatro este é completamente infundado. O Estado manteve o controle sobre a OSESP, apesar do modelo implantado: quando as autoridades máximas quiseram se livrar do Diretor Artístico, simplesmente o demitiram da forma mais deselegante possível. Mas enquanto estive empregado como Diretor Artístico da Osesp não sofremos com a engessante paralisia que o Estado nos impunha antes da criação da Fundação de direito privado, que foi reconhecida como OS e que administra a OSESP até hoje.
Outra questão polêmica na reestruturação do Teatro é a inexistência de um Diretor Artístico, substituído por uma nebulosa Comissão. O antigo ditador de Portugal, de triste memória, António de Oliveira Salazar, cunhou uma frase, que tem a sua razão de ser: “Quando quero resolver um assunto, chamo um especialista e resolvo. Quando não quero, nomeio uma comissão.”
Repito que o democratismo que norteia a cabeça dos remanescentes epigonais da mentalidade sessentoitista é fatal para os teatros e orquestras. A democracia prevê um mandato – o mandatário, empregado, tem autoridade e trabalha durante o tempo que lhe é concedido. E há diversas formas para manter-se o controle da instituição, sem apelar para a diluição de poderes: há contratos de gestão que estabelecem metas a serem cumpridas e que podem ser examinadas pela Prefeitura a qualquer momento.
Enfim, estamos num momento crucial para a cultura musical paulistana. Espero que a sociedade civil e a imprensa cumpram o seu papel de zelar por uma reestruturação moderna, tanto física quanto artístico/administrativa do nosso Teatro Municipal, para que ele possa cumprir com a sua função de teatro lírico de referência na América Latina. Afinal há muitos exemplos a serem seguidos.

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18 respostas para Repensando o Teatro Municipal

  1. Marli Bego disse:

    CLAP… CLAP… CLAP…

    Maestro,
    aplaudo seu texto!!!
    qdo é que essas pessoas vão acordar????
    abrç…

  2. Preocupado com o Teatro Municipal disse:

    Maestro o Sr. tem toda razão, contudo a catatonia cultural por que passa São Paulo vai bem mais longe. O Centro Cultural São Paulo está sem programação e sem diretor, a Biblioteca Mario de Andrade está fechada, as lei de fomento estão paradas, os teatro de bairro sem programação, só para citar alçguns exemplos. No ano passado a desculpa foi a falta de verba por causa da crise, mas teremos o estadio Piritubão, o túnel da Lapa ao Brás, a fórmula Indy e a única verba para ação cultural é a Virada?! O Sr. tem toda a razão quando diz que a criação da Fundação Teatro Municipal só vai servir para engessar a administração e caracterizar ainda mais o TMSP como um corpo anômalo dentro da secretaria de cultura, excluído de uma definição clara e transparente de política cultural. Contudo percebo que ja vemos surgir um germe de indignação, a paciencia com uma administração indolente está se acabando. Seu texto anterior, e as materias do Estadao e da Folha foram o catalisar de um processo que esperamos reverta na mundança deste estado de coisas. Para o bem da cultura de nossa cidade!

  3. Preocupado com o Teatro Municipal disse:

    Maestro Neschiling, esta é a carta da Bia Amaral endereçada ao Sr.:

    Rosana
    Por favor, transmita ao Maestro Neschling: o Municipal tem corpos estáveis (Orquestras, Corais, Balé, Quarteto de Cordas) e 60 técnicos de palco, alguns lá estão a cerca de 20, 25 anos; há pianistas,
    contrarregras, camareiras, costureiras, aderecistas, modelistas, etc.
    Trata-se de um tradicionalíssimo Teatro de ópera, desde sua fundação. Não fosse o Municipal grande como é, o interesse da imprensa não sevoltaria tanto a ele. O Maestro, que por muitas vezes já viu suas palavras distorcidas pela imprensa, deveria ao menos me consultar sobre os fatos que discordou ou duvidou. Não fui entrevistada, tanto que minhas palavras não aparecem entre aspas; conversei informalmente com a repórter, a encontrei casualmente nos corredores do Teatro.
    Quando citei o Metropolitan, comentei que brasileiros que viajam a NY
    apenas para assistir óperas do MET muito apreciarão as que apresentaremos e que espero que americanos nos visitem no ano do
    Centenário. Pretensiosa? Posso ter sido, admito. Explico ao Maestro que o Projeto de Fundação Pública e não privada,
    conforme citado no artigo, prevê um diretor musical, um diretor de dança
    e um diretor de formação: são estes profissionais que se responsabilizarão por elaborar a programação. E, enquanto a Fundação não se instala, há uma comissão especial constituída por profissionais de comprovada competência que se responsabiliza pela programação a ser desenvolvida em 2011; uma das profissionais é você.
    Quando citei os pianistas é porque ficou sob sua responsabilidade contratá-los e acertar agenda e, como sei o quanto você é próxima a todos eles, não sendo eu do ramo, busquei você, que em minha opinião
    poderia viabilizar a negociação. Sobre óperas, Lulu foi citada no artigo porque Felipe Hirsch permitiu que a repórter o fizesse, mas apresentaremos várias outras óperas em 2011, inclusive as alemãs, italianas e francesas pelo Maestro reclamadas. Ainda sobre a programação (não divulgada), adianto que a ópera Lulu se realizará em novembro e não
    no início de 2011.O Municipal ainda é um teatro de temporada, guarda em seu acervo
    cenários de 32 óperas e 45 mil figurinos e adereços. O fato de não se
    realizar várias óperas por mês não pode ser atribuído a erro de gestão:
    para tal é preciso que a obra de modernização do palco se concretize,
    objetivo perseguido pelo Secretário Carlos Augusto Calil desde que
    assumiu a pasta da Cultura em 2005. O complexo Praça das Artes, que vem
    a ser o anexo do Teatro Municipal, também propiciará que se dê à
    programação do Teatro novos rumos; não sei se o Maestro conhece este
    grandioso empreendimento financiado pela Prefeitura de São Paulo.
    Peço ao Maestro Neschling que antes de questionar a capacidade técnica
    da quase centenária Orquestra Sinfônica Municipal em executar Berg ouça
    o CD Villa Lobos, elogiado pela crítica; também que se recorde de que o
    Maestro Rodrigo de Carvalho, regendo a OSM, foi em 2008 um dos 3
    indicados a receber o Prêmio Carlos Gomes, como melhor regente de ópera,
    por O Castelo do Barba Azul, aliás, a ópera vencedora do ano.
    O termo mediocridade, utilizado pelo bravo Maestro Neschling para qualificar o futuro do Municipal, é descabido: de fato mediocridade pode significar qualidade média, porém, pode-se também entender como algo sofrível, vulgar e pouco talentoso. Isto por que os artistas serão regidos por CLT, regime da Osesp, tão bem estruturada? Ou por que sendo o Municipal um teatro de Ópera e Dança a Fundação prevê um diretor de dança, um musical e um de formação ao invés de um diretor artístico?
    Deixo aqui um convite para que o Maestro visite o Teatro Municipal de
    São Paulo, que ateste as obras de restauro em vias de conclusão, que conheça as obras da Praça das Artes, o projeto de Fundação. Ele se surpreenderá, tenho certeza.

    Bia

  4. Músico OSM disse:

    Caro maestro,

    SOCORRO!!!!!!

    Obrigado(a)

  5. Mary-Helen TE disse:

    Caro Maestro,
    Só mesmo com artigos provocantes é que se consegue saber alguma coisa. Bravo e continue com seus comentários instigantes.

  6. elemono disse:

    A fragilidade dos contratos ilegais da Orquestra Sinfônica Municipal enfraquece a voz dos músicos e os obriga a estar no anonimato. Muitos podem chamar isso de covardia, mas eu creio que seja uma questão de sobrevivência. A verdade é que o Theatro Municipal parece nem existir mais. Perdeu seu público e sua identidade. Não há arte nem eficiência administrativa no cotidiando daqueles que o dirigem. Falam que a reforma vai muito bem, mas o que eu sei é que até agora não foi feito nada naquele que é o motivo de existência do Theatro: o palco. Se fosse um hospital seus pacientes estariam mortos, não pela falta de médicos (sim, o Theatro ainda conta com grandes artistas), mas pela septicemia causada pelas bactérias do descaso e incompetência daqueles que o dirigem.

  7. Baby Field disse:

    Olhem…parabens ao Rio de Janeiro que fez uma bela reforma em seu Teatro Municipal..!
    E São Paulo,se não fosse uma conjunção de astros favorável,que uniu a energia e competência do maestro Neschling,com o discernimento do governador Mario Covas,não teria nada,hoje, em termos de sala de concertos!!!
    Nada!!!
    Se temos a Sala São Paulo devemos a estas duas pessoas e não me venham dizer diferente!
    Proxima conjunção de astros??
    Talvez daqui a uns 100 anos,surja alguem com discernimento para valorizar o suficiente a área cultural e saber o que significa para um povo, este patrimônio.

  8. Swjaczeslaw Zhopagolaiev disse:

    Acho que o Sr. Neschling tem moral para falar e comentar sobre esse rolo do TM, ele deixou a OSEP com os músicos com o famoso registro em carteira, deu estabilidade e carreira. O TM tem um montão de parasita regsitrado em regime CLT que diz que mantém e faz o teatro funcionar, isso é pura mentira por que a peça principal são os músicos e que estão passando por momentos de ameaças, sendo acurralados e etc…que falta de moral essa admimistração tem eh? E mais, esse maestro que foi exonerado pelos músicos e que parece que esta voltando tem algum padrinho na PMSP, é o fim da picada….

  9. Neli disse:

    Bravíssimo,Maestro.
    Minha solidariedade aos musicistas da OSM.

  10. Jácomo BISAGLIA disse:

    Meu caro Johny,
    Meus parabéns!!! Não há necessidade de complementos. Mas, anexamos abaixo os comentários enviados por uma autoridade na matéria, no blog do Estadão, do jornalista Edmundo Reina, em 03.06 do corrente. Endossamos o mesmo em 100%.
    Abraços sonoros,
    Bisaglia

    Enviado por: PAUL BASTID
    INACREDITÁVEL!!!
    MAS UM GRUPO BEM INFORMADO PODE FORNECER MAIS SUBSÍDIOS TÉCNICOS E POLÍTICOS PARA ESTA PRETENSÃO MUNICIPAL…
    MAIS UMA VEZ UM PREFEITO TENTA CRIAR UMA FUNDAÇÃO PARA O, TEATRO MUNICIPAL APENAS PARA GARANTIR A CONTINUIDADE DE UM GRUPELHO ALÍ COLOCADO, SEM AS CREDENCIAIS ARTÍSTICAS NECESSÁRIAS.
    EM POLÍTICA TUDO SE REPETE, PRINCIPALMENTE AS MAZELAS E OS OPORTUNISMOS TAXADOS DE “ACORDOS”…
    AO FINAL DA ADMINISTRAÇÃO PITTA, O ENTÃO SECRETÁRIO DE CULTURA RODOLFO KONDER ENVIOU UM PROJETO DE FUNDAÇÃO PARA O TEATRO MUNICIPAL CUJO PRINCIPAL ESCOPO ERA A SUA MANUTENÇÃO À FRENTE DA INSTITUIÇÃO POR CINCO ANOS, ISTO É, ATÉ APÓS O MANDATO DA PREFEITA MARTA SUPLICY, RECÉM ELEITA.

    APROVEITANDO O EMBALO, TBM FOI ENCAMINHADO À CÂMARA MUNICIPAL PROJETO SEMELHANTE PARA O CENTRO CULTURAL SÃO PAULO, CUJO OBJETIVO ERA A MANUTENÇÃO DE UMA AMIGA DO SECRETÁRIO NA SUA DIREÇÃO, POR IGUAL PERÍODO.
    FELIZMENTE O ENTÃO PRESIDENTE DA CASA VEREADOR JOSÉ EDUARDO CARDOSO FOI DILIGENTE, ASSIM COMO O RELATOR PARA ESTES PROJETOS – VEREADOR ARSELINO TATTO. AS PROPOSIÇÕES DA DUPLA PITTA-KONDER FORAM ARQUIVADAS POR UMA RAZÃO MUITO SIMPLES:
    JÁ EXISTIA NA CÂMARA UM EXCELENTE PROJETO ANTERIOR APROVADO,
    DE AUTORIA DO ENTÃO VEREADOR MARCOS MENDONÇA, COMO UMA CONTINUIDADE DE SEU PROJETO DE INCENTIVOS FISCAIS À CULTURA QUE IRIA EMBASAR PRINCIPALMENTE A NOVA FUNDAÇÃO DO TEATRO.
    PROJETO AO TEMPO DA ADMINISTRAÇÃO MALUF E POR ESTE REJEITADA ASSIM COMO PELO SEU SECRETÁRIO DE CULTURA – O MESMO KONDER!!!!
    HOJE A SITUAÇÃO SE REPETE, PARA A CONTINUIDADE DO ATUAL SECRETÁRIO DE CULTURA CALIL E DE SUAS DUAS PROTEGIDAS AMIGAS-PARENTES, BEATRIZ AMARAL E RAFAELA CALIL, RESPECTIVAMENTE DIRETORA E RESTAURADORA DO TEATRO, SEM AS MENORES CONDIÇÕES ARTISTICO-PROFISSIONAIS PARA ESTES CARGOS..
    E COM UMA FUNDAÇÃO…SEM AS MENORES RESTRIÇÕES QUE A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA DIRETA AINDA CONSERVA…
    A FORMA PROPOSTA DE FUNDAÇÃO É DE UMA “OS” , MODELO MUITO CONTESTADO E COM INÚMEROS PROCESSOS JUNTO AO STF, QUANTO À LISURA E A LEGITIMIDADE DESTA FORMAS ADMINISTRATIVAS.
    A ESTRUTURA MAIS ADEQUADA SERIA A DE UMA OSCIP, ORGANIZAÇÃO SOCIAL CRIADA POR LEIS FEDERAIS E PASSÍVEL DE ACOMPANHAMENTO E APROVAÇÃO DE CONTAS PELO TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO.
    NO ENTANTO ESTAS OSs TÊM SERVIDO PARA MUITOS INTERESSES POLÍTICOS E DE “AMIGOS” – PARA MUITAS ÁREAS ATÉ ENTÃO PÚBLICAS, COMO SAÚDE E CULTURA.
    COMO A OS CRIADA POR UM EXPERT EM TEATROS OFICIAIS COM ALGUNS FUNCIONARIOS DA PRÓPRIA SECRETARIA DE CULTURA DO ESTADO – UMA ASSOCIAÇÃO DE “AMIGOS DA ARTE” APAA, PARA GERIR OS TEATROS DO ESTADO, AUDITÓRIO DE CAMPOS DO JORDÃO, INCLUSIVE.
    SEM AO MENOS UMA SÉDE PRÓPRIA, ATÉ HOJE USANDO SALAS DO TEATRO SÉRGIO CARDOSO, ESTA APAA APRESENTOU UM BALANÇO RECENTE DE MAIS DE R$40 MILHÕES….
    DA MESMA FORMA O PROJETO GURÍ, A ANTIGA ULM E ATÉ O FESTIVAL DE INVERNO DE CAMPOS DO JORDÃO, FORAM TRANSFERIDOS PARA UMA “OS” RECÉM CRIADA PELAS FACULDADES SANTA MARCELINA. COM APOIO DA ASSOCIAÇÃO PAULISTA DAS OSs…
    SEM NENHUMA AVERIGUAÇÃO DAS EXPERIÊNCIAS ANTERIORES NESTAS ÁREAS E SEM NENHUMA LICITAÇÃO. DA MESMA FORMA SEM NENHUM INVESTIMENTO DESTAS OSs NOS PROJETOS “PRIVATIZADOS” COMO DEVERIA SER UMA SÉRIA PARCERIA PÚBLICO-PRIVADA, EM QUALQUER SETOR.
    E NÃO UMA AÇÃO ENTRE AMIGOS….COMO VEM ACONTECENDO
    ACREDITAMOS QUE EXISTE AQUI UM FARTO ROTEIRO PARA PESQUISAS JORNALÍSTICAS SÉRIAS CAPAZES DE COIBIR OU AO MENOS INIBIR ESTAS AÇÕES ESPÚRIAS….
    PB
    ANALISTA DE ESTTRATÉGIAS CULTURAIS

  11. violista disse:

    Caro Maestro,
    Se São Paulo está assim, espero que nem queira imaginar a situação musical de cidades como Campinas e Sorocaba. Também pedimos socorro!

  12. Ana Oliveira disse:

    Caro Neschling, o Sr reparou no sobrenome da arquiteta do Teatro Municipal? Chama-se Calil….o q será q ela tem a ver com o secretário? E ainda assume a reforma?
    Caros leitores, não há CLT na Orquestra uma vez q são funcionários públicos, os da antiga….e os outros, verbas de terceiros, com contratos e sem direito algum a férias e 13o salário!
    Se formos publicar na imprensa as inúmeras irregularidades q a Prefeitura, Secretário e Diretora cometem com seus Corpos Artísticos, será q haverá alguma mudança??
    Duvido, já q esta tríplice aí, anda mt bem amparada q seus simples funcionários…Mas acredito como espectadora, q tudo isso irá mudar e para MELHOR um dia!
    Basta o povo do meio artístico unirem-se para mudar a situação!
    Grata

  13. Músico disse:

    Recentemente, foi divulgado que a OSM escreveu uma carta de desculpas ao maestro… Tal carta não existe e, após o fato ter sido divulgado, o maestro está exigindo que os músicos escrevam e assinem tal carta… VERGONHA!

  14. Hélio Leite disse:

    Lamento imensamente o constrangimento imposto aos colegas da OSM pelos quais assisti com grande deleite belas leituras da “Salomé”,”Lohengrin” e outras.Lamento que músicos daquele quilate,escravos de seus instrumentos,sempre oferecendo àquela instituição o melhor deles enquanto artistas dedicados e competentes que são,protagonizem agora este sombrio enredo que faz parecer um conto de fadas o Anel dos Nibelungos.No Teatro Guaíra,Curitiba,2/3 dos músicos em sua condição de concursados ainda podem fazer alguma frente aos avanços das bestas feras da administração enquanto que os demais não tem escolha outra que não a de calarem-se.Meus sinceros votos de melhores dias aos professores e amigos da OSM,minhas esperanças de um melhor futuro para a classe musical brasileira.Que todos façamos música em harmonia e paz!

  15. Caro Neschling e amigos,
    A situação não é muito diferente no Teatro Municipal do Rio de Janeiro. Que ninguém se iluda com o brilho dos ouros, dos bronzes e dos mármores da casa recentemente reaberta com grande pompa e festa dos “elegantes” cariocas.
    Os cidadãos, que financiaram tudo com seus impostos, ficaram olhando de longe a entrada festiva das autoridades, separados por grades de ferro bem policiadas. Não fossem eles cometer o atrevimento de querer comprar ingresso e entrar no espaço público que, ao que parece, foi privatizado.
    A verdade é que teatros como os Municipais do Rio e de São Paulo -tradicionais casas de ópera, balé e concerto instaladas em prédios históricos- rendem mais fechados do que abertos. Prevalece a lógica insana do “bom negócio” para uns poucos e prejuízo generalizado para a sociedade.
    No Rio a indústria da restauração foi instalada há mais de trinta anos. Foram três grandes obras de reforma e/ou restauração (nunca se sabe ao certo o que foi) entre 1976 e 2010. Nesse período, a orquestra do teatro, que já foi uma das melhores do Brasil, praticamente faliu! O trabalho aqui precisa começar do zero. Os músicos têm qualidade, mas estão longe de formar um conjunto com sonoridade própria. E o que dizer dos cantores? A formação de um cantor lírico no Rio é produto de um quase milagre!
    O que quero dizer é que esse não é um problema de São Paulo ou do Rio, mas do Brasil. E vai continuar assim enquanto nossos teatros mais importantes continuarem sendo comandados por gente que não é do meio musical. Como é possível alguém que não conhece ópera comandar uma casa de ópera? No Brasil tem sido possível. Mas os resultados são esses que conhecemos.
    abraços
    Henrique Marques Porto

  16. Angélica disse:

    O TMSP é uma verdadeira casa da mãe Joana. O maestro tem plena razão e só põe em palavras os pensamentos de todos nós músicos, que presenciamos a cena lírica brasileira afundar cada vez mais por absoluta incompetência administrativa. Com o devido respeito que permite a minha educação à diretora do TMSP, existe uma singela diferença entre Villa-Lobos e Alban Berg. Além disso, alguém que admite sua ignorância musical faz o que no posto de diretora de uma casa de ópera?

    Os músicos, excelentes profissionais que há anos se dedicam àquele teatro, mereciam o mínimo de respeito, mereciam ser ouvidos, ter sua opinião considerada enquanto profissionais e verdadeiros responsáveis pelo sucesso ou não das tempordas do Teatro. Ao contrário, estão calados, à mercê de administrações incompetentes e anos e anos de descaso com um teatro tão importante quanto é o paulista. Quando é que se compreenderá que música se faz com músicos, em todos os níveis, inclusive administrativos? Só nos resta torcer para que essa famigerada ‘fundação’ aconteça para o bem, para tornar essa casa ideal tanto para seu público quanto para seus profissionais, e não como gabinete de empregos de parentes de políticos. Por uma administração musical para o TMSP!!

  17. Ricardo disse:

    Concordo com o maestro a respeito do Teatro Municipal. Mas gostaria de fazer uma observação sobre a OSESP. Sempre que vou à Sala São Paulo reparo que quase todas as pessoas que a frequentam parecem ser de uma parcela minoritária da população com alto padrão de vida. Creio que não é um espaço tão democrático assim. Sei que os ingressos não são tão caros, mas penso que deveria haver mais mecanismos para que paulistanos com menos dinheiro também tirem proveito do que a sala tem para oferecer. Grande parte da população que também paga os impostos que vão para a orquestra nem sabe que aquele espaço existe, nunca foi a um concerto.
    A própria localização já é um problema, não é possível ir a um concerto da OSESP de condução, pois é muito arriscado andar à noite no meio da cracolândia…

  18. Ricardo disse:

    Talvez uma simples camapnha publicitária veiculada na mídia, no metrô, etc. estimulando as pessoas a conhecerem a Sala São Paulo possa mudar muita coisa. Um dia de récita na hora do rush com ingressos à preços populares. Alguma parceria com a SPtrans para facilitar o acesso. idéias…

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