Diário de um Barbeiro 1

Cheguei da Malásia às 5 e meia da manhã em Guarulhos. Meu programa era descansar e me recuperar de uma viagem de 2 dias, com 11 horas de diferença de fuso. Às 2 da tarde já estava no estúdio Quanta , que alugamos para os ensaios do nosso Barbeiro.
Encontrei Abel Rocha e todos os cantores do elenco que estreará a produção em Belo Horizonte no dia 24 de junho. A tela estava sendo armada para a projeção do desenho animado que produzimos com Joshua Held na Itália. Problemas com o tamanho do cenário. São mais de 15 teatros diferentes, diferentes tamanhos de boca de cena, que vão de um palco enorme como o do Teatro Alfa em São Paulo ao palco minúsculo do Teatro Amazonas de Manaus. Como produzir um cenário que funcione sempre em medidas tão diferentes? Walter Neiva tem boas idéias, vamos modificar um pouco o que foi desenhado por Carlo Savi na Itália, sem interferir ou modificar diretamente na concepção cênica de Píer Francesco Maestrini, nosso “régisseur”.
Estamos a pouco mais de três semanas da estréia e termos conseguido chegar até aqui com as dificuldades burocráticas que enfrentamos, apesar de todo o apoio que tivemos do Ministério da Cultura, é uma vitória impressionante.
No geral, o clima é de que estamos construindo algo novo que vai marcar o panorama lírico brasileiro. Sinto-me um pouco como quando começávamos a montar a OSESP, no Memorial da América Latina. Com menos segurança ainda a respeito do nosso futuro. Tudo vai depender da qualidade dessa montagem. Somos um grupo de 60 e poucas pessoas que vai viajar por esse país imenso, levando ópera para cidades que talvez nunca tenham visto uma produção profissional desse nível e para as capitais acostumadas a grandes produções, embora essas cada vez menos frequentes. A qualidade da récita de Aracaju tem que ser a mesma da récita de São Paulo ou do Rio. Serão mais de 70 récitas, 28 cantores, 20 brasileiros, 7 italianos e uma polonesa. Uma orquestra montada para a tournée, 28 músicos escolhidos a dedo, sendo que tantos que também desejaríamos que estivessem conosco não podem estar porque tocam nas orquestras das capitais e não podem se liberar por períodos maiores. Camareiras, técnicos de palco, iluminadores, maquiadores, pianistas correpetidores, produtores, arquivistas, enfim, toda uma companhia montada para uma aventura maluca que me ocorreu criar há 1 ano atrás, porque desejava e desejo continuar tendo uma atividade produtiva na vida musical brasileira.

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