O dilema da OSB

Li no Globo que a presidente do Sindicato dos Músicos do Rio de Janeiro, referindo-se também a mim, embora de maneira velada, declarou que o tempo dos “mega-salários” acabou e  “vejam o que aconteceu na Osesp”.

Volto então, e mais uma vez, ao tema OSB , respondendo a essa menção ao meu trabalho feita de maneira  desinformada.

O Sindicato dos Músicos, que eu saiba, deveria lutar pela melhoria da condição profissional do músico.  A julgar pela situação precária na qual vive a imensa maioria dos músicos e das orquestras brasileiras, fica  claro que não está conseguindo exercer muito bem a sua função.

Por isso é duro ouvir as pérolas acima  da Presidente do Sindicato. Em todo o mundo pagam-se  os salários que o mercado decide,  a Dudamel o que é de Dudamel e a Minczuk o que é de Minczuk. Além disso, citar a OSESP de hoje como exemplo de modernidade na estrutura de “governança”, como se a minha gestão como diretor artístico tivesse acontecido num passado longíquo e tivesse sido um desastre, e como se só agora se tivesse encontrado a pedra filosofal da administração, é no mínimo ignorância. A  Presidente do Sindicato parece ignorar que, se atualmente a Osesp se encontra em posição invejável em relaçâo às outras orquestras brasileiras, isso se deve ao trabalho realizado durante a minha gestão de doze anos.

Seria bom  se o Sindicato dos Músicos  fizesse um pouco de auto crítica e percebesse o buraco que cavou para si próprio e para os músicos brasileiros,  antes de expor o caminho das pedras que nunca soube trilhar.

Já coloquei, em posts anteriores, a minha posição quanto às audições de reavaliação realizadas por algumas orquestras.

A situação da Orquestra Sinfônica Brasileira está se tornando um beco sem saída.  Muito, creio, pela imperícia com que a crise gerada pelo anúncio das audições está sendo administrada por todas as partes envolvidas, inclusive o Sindicato. Ainda não está claro  quais os planos exatos que a direção OSB  pretende implementar no futuro da orquestra. Anunciaram concursos de arregimentação de músicos fora do país, como se isso fosse a panacéia para as orquestras brasileiras. A crença nesse solução milagrosa não deixa de revelar a nossa falta de auto-estima.  Hoje em dia, depois da experiência da Osesp, que inspirou  a qualificação de muitos músicos brasileiros e possibilitou a formação de outros tantos na sua academia, há músicos  no Brasil para formar várias orquestras de qualidade. Só depois disso é que se deveria  trazer mais músicos de fora para o nosso País, pensando sempre no enraizamento desses novos elementos na nossa sociedade, e nas vantagens que  esses músicos poderiam trazer para a nossa vida musical.

Até agora a direção da orquestra não havia falado em demissões para os músicos que não fossem aprovados nas audições,  nem especificado  as vantagens que a aprovação poderia trazer, seja pecuniariamente para os músicos, seja de qualidade para o grupo. A falta de transparência em todo o processo foi a  causa da desconfiança dos músicos da orquestra. Na minha opinão, a notificação das audições durante as férias não foi justa com a orquestra. Uma conversa aberta e profissional com a comissão dos músicos poderia ter evitado toda essa confusão. Mas, no caso da OSB, as relações entre essas duas instâncias há tempos que não é das melhores . Por mais de uma vez a quase unanimidade dos músicos  expressou a sua insatisfação com o diretor musical da orquestra,  pedindo a sua substuição. Embora não acredite que essa seja a forma correta de se  trocar de regente titular,  o fato é que nesse caso,  o  conselho de administração da orquestra,  que não inclui profissionais do ramo,  resolveu  manter o regente e trocar de orquestra, um fato, creio, inédito na história sinfônica do país e do mundo.

Agora, com o esclarecimento sobre a demissão daqueles que não passarem nas audições e o programa de demissão voluntária  anunciada no jornal “O Globo” esse imbróglio ganha dimensões mais desastrosas. Com ele, a direção revela que não está levando em consideração o lado social da orquestra, nem a história da instituição. Essas atitudes  acarretarão  uma ruptura emocional  de profundas consequências. Uma troca de regente titular  é um processo longo e necessita de cuidados especiais. Uma troca de orquestra, por outro lado, é  mais difícil ainda.

Mas o problema, na minha opinião, é mais embaixo. A grande maioria das atuais estruturas administrativas das orquestras brasileiras surgiu na época da ditadura militar. A OSB é um perfeito, senão o maior exemplo desse fenômeno. Sair desse esquema viciado e pouco transparente é fundamental para a modernização e qualificação das orquestras. Já prevejo muita gente gritando que logo eu, famoso pelo meu “autoritarismo” venho falar de  modernidade nas estruturas administrativas musicais.  A verdade é que a reestruturação da Osesp se deu, sim, de forma moderna, transparente e democrática. Ali, eu sempre fui uma figura de autoridade e competência, mas o fazer cotidiano, as audições, as decisões burocráticas e artísticas, sempre foram claras, transparentes e acessíveis a todos. Nunca houve esquemas nem camarilhas, protecionismo  ou favorecimentos.  Muito menos maracutaia.  A verdade é que as orquestras brasileiras necessitam de uma nova cultura administrativa.

Enquanto isso não acontece, quem paga a conta de todo esse “imbroglio” que se espalha por todos os lados, é o público. A temporada da OSB começa só em agosto. Até lá, o  público pagante terá que se contentar com uns concertos da OSB Jovem, que, com todo o respeito ao trabalho realizado com os bolsistas, não pode nem deve ser a orquestra sinfônica brasileira que assume a temporada de concertos do Rio de Janeiro. E a partir de agosto a “nova” OSB apresentará um programa que em nada difere daquilo que vem fazendo há décadas. Talvez seja até mesmo um pouco menos atraente.

Nas atuais circunstâncias, com a recusa dos músicos de participarem das audições e com a ameaça de demissão pairando sobre as suas cabeças, não se pode prever o que vai acontecer com a instituição sinfônica  mais tradicional do Brasil.

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Deu no New York Times de hoje:

“James Levine cancela concertos com a Sinfonica de Boston e récitas no Metropolitan devido a problemas na coluna…”

Deu na Folha de São Paulo de hoje:

“Tiririca é indicado para a Comissão de Educação da Câmara dos Deputados…”

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15 respostas para O dilema da OSB

  1. Liliane disse:

    Não faz muito tempo,no interior de SP quando chegava um médico formado numa povoação onde existiam curandeiros muito populares,o médico era colocado no lombo do cavalo e despachado de volta a seu lugar de origem.
    Acho que isso ainda acontece no interior do Brasil.Não sei.

    Agora,com um plano nacional de educação a ser discutido,política de cotas e tudo o mais,a nomeaçao deste deputado,para esta comissão,dá a visão clara do nosso estágio de desenvolvimento.
    Preconceitos a parte,esta comissão é uma comissão que demanda MUITO conhecimento do assunto EDUCAÇÃO BRASILEIRA.

    Quem fez isso?
    Eleitores,população alienada,que não se indigna com nada,congresso que não se importa com o país….

  2. Carlos Veiga Filho disse:

    Olá, Maestro; olá, Pessoas.
    É curioso como as orquestras do Brasil são administradas. Aliás, não só as orquestras, mas as instituições que lidam com atividades culturais e intelectuais. Acompanhei meu pai (o maestro Carlos Veiga) na sua trajetória como diretor artístico de algumas orquestras do país e sempre houve esse problema administrativo. Outro embate também sempre existente foi o de “músicos” sindicalizados: pouco preocupados com o crescimento musical e cultural individual e coletivo e sempre preocupados em derrubar o maestro.
    Atualmente moro em Salvador e constantemente ouço boas referências da Universidade Federal da Bahia quando administrada pelo Reitor Edgard Santos, que criou os primeiros cursos superiores de música, teatro e dança do Brasil. Outro exemplo bem sucedido foi o da Orquestra Sinfônica da Paraíba na década de 80 que tinha apoio pessoal do Governador Tarcisio Burity. Lembro que na época meu pai viajou para o exterior e convidou músicos para o concurso da orquestra.
    Hoje os tempos são outros.
    As empresas grandes que lidam com telefonia, tv, petróleo (ontem vi no jornal que o lucro da Petrobrás em 2010 foi na casa dos 30 bi. Isso mesmo: lucro.), e também os bancos, possuem lucros inimagináveis. Também, pudera. São essas grandes empresas que possuem incentivo fiscal para se instalar. Para quê a Telemar precisa de incentivo fiscal? Para lucrar muito, ora. Mas são organizações que toda a população precisa.
    Mas como administrar uma organização (como uma orquestra ou uma universidade de arte) num país que a maioria da população não reconhece como necessária, nos tempos de hoje?
    São problemas postos e que demandam ampla discussão (já que estamos numa democracia) mas que as soluções provavelmente só serão vistas (e ouvidas) por nossos filhos, talvez netos.
    Se estivéssemos numa ditadura (Venezuela, por exemplo), a situação seria outra.
    Acho que o problema maior está na falta de reconhecimento/conhecimento da população. Ignorância mesmo. Não no sentido pejorativo porque ignorante é o que desconhece. Ele simplesmente não faz idéia do esforço necessário até um músico ser capaz de ingressar numa boa orquestra. Como valorizar isso?
    Enfim…
    Convencer a mentalidade ignorante e capitalista de que cultura é essencial para as pessoas não é tarefa fácil, assim como administrar uma orquestra também não é.
    Finalizo dizendo que tive o prazer de ouvir a OSESP ao vivo na abertura do Festival de Campos do Jordão em 2008 e foi uma das maiores experiências musicais que já vivi.
    Um forte abraço,
    Carlinhos.

  3. Guilherme disse:

    “Anunciaram concursos de arregimentação de músicos fora do país, como se isso fosse a panacéia para as orquestras brasileiras. A crença nesse solução milagrosa não deixa de revelar a nossa falta de auto-estima.”

    Por isso sou seu fã, maestro.

    Um abraço.

  4. Eduardo disse:

    Sejamos objetivos. O compromisso do Sindicato dos músicos, sua razão de ser, é a defesa do interesse dos músicos, o que, basicamente, consiste em garantir seus empregos e salários. Não o interesse do público e a defesa da qualidade artística da orquestra. A defesa desse outro interesse (que não reputo nem maior nem menor, mas certamente distinto) cabe à Direção Artística e ao Conselho da OSB e eles optaram pelas audições. A questão, no fundo, é somente uma: existem músicos que não estão no nível esperado? Não ignoro que existe um aspecto social envolvido nas demissões. Por outro lado, existe um aspecto moral ou ético nem sempre considerado: manter o emprego desses profissionais (cuja performance esteja abaixo do nível exigido) certamente seria um ato de caridade, mas caridade só pode ser feita com o próprio bolso (pelo menos foi o que eu aprendi quando criança…), o que não acontece com essas orquestras, que são mantidas por recursos provenientes de terceiros (doações de particulares, empresas e do poder público).

    Quanto às considerações do Carlos, me sinto obrigado a fazer dois comentários: 1) não sei se entendi direito, mas pareceu que você acredita que a situação da música seria melhor se estivéssemos na Venezuela. Discordo radicalmente. Entre aguentar esse tipo de ditador e viver em um país sem nenhuma orquestra, eu prefiro a segunda opção. Inclusive porque arte com A maiúsculo não existe em regimes totalitários. Toscanini e Erich Kleiber preferiram o exílio a conviver com esse tipo de gente e estavam certíssimos. 2) Não acredito que o capitalismo tenha a ver com o problema. As melhores orquestras do mundo estão em países capitalistas (Alemanha, Holanda, Áustria, Estados Unidos). A questão é de cultura e de prioridades (do Estado, das empresas e dos cidadãos).

    Quanto ao segundo post, maestro, parece que as coisas estão ficando piores: primeiro foi Luan Santana, agora o Tiririca…

  5. Mary-Helen TE disse:

    Quanto à Venezuela, Chaves, muito esperto que é, apenas manteve uma estrutura que foi iniciada muito antes de seu desgoverno. Uma mentira dita muitas vezes acaba virando uma verdade, daí os incautos acabarem achando que a Simon Bolivar é obra do governo chavista. A atual Osesp é outro exemplo.

  6. semibreves disse:

    Eduardo,
    Exatamente por ser esse o papel do sindicato é que acho que a sua Presidente pisou na bola ao mencionar “mega-salários” e formas de “governança”, citando a atual OSESP como exemplo, em contraste com o que era antes, em vez de se ater ao seu papel, que seria o de se opor a demissões injustificadas e a lutar por empregos e sua manuntenção.
    Por outro lado se a direção artística da OSB optou por audições, teria que organizá-las de forma que respeitasse o lado social das mesmas. Se as orquestras não são associações beneficentes, por outro lado demissões de um dia para outro, em audições marcadas intempestivamente, sem negociação anterior, sem dar aos músicos a possibilidade de se prepararem convenientemente, sem a preocupação fundamental de respeitar músicos que dedicaram parte importante de suas vidas à orquestra e que de um dia para outro estarão desamparados – e sem perspectivas, não é forma de zelar pela qualidade artística de nada. Programa de demissão voluntária é um contra-senso. Qualquer trabalhador tem o direito de se demitir quando quiser, não se trata de liberalidade patronal. Um programa de demissões voluntárias aplica-se a empresas que enfrentam graves crises financeiras, que põe em perigo a sua subsistência, e oferecem vantagens substanciais àqueles que se candidatam a uma aposentadoria precoce ou coisa do gênero. Não faz parte de programa de melhora qualitativa de nenhum empreendimento que se propõe a pagar salários maiores do que os atuais para os que puderem ficar.
    Aliás, já disse o que eu achava sobre audições de requalificação num dos posts anteriores desse blog.
    JN

  7. Eduardo disse:

    Maestro,
    Concordo. Eu disse que esse é o papel do sindicato, mas daí a afirmar que este papel está sendo desempenhado a contento vai uma grande diferença… Quanto às audições reconheço que a maneira de implementar talvez não tenha sido a melhor (não me sinto qualificado para opininar neste particular). Pelo que tenho lido, porém, os músicos não se insurgem contra a forma, mas contra a existência das audições, o que não me parece razoável. Esperemos pelo melhor.

  8. Clarisse Lisse disse:

    Quanto ao Sindicato dos Músicos do Rio de Janeiro, desconheço sua finalidade estatutária, mas é de se questionar até onde o problema na OSB envolve apenas aquele grupo de músicos ou o interesse de toda a categoria (de uma grande coletividade).
    Por certo, se fosse um grupo de bancários, empregados do Banco X, o Sindicato dos Bancários já estaria atuando na defesas de seus interesses, não só junto à Presidência do Banco, como também propondo as medidas judiciais competentes.
    Assim, as declarações da Presidente do Sindicato dos Músicos são pueris, visto que apenas tece críticas para todos os lado, comumente utilizando de deboche e sarcasmo, numa atitude que lembra muito a de Presidente de Grêmio Estudantil. Nesse sentido, ela não difere daquilo que acusam o Maestro Minczuk, na medida em que transfere a sua inaptidão para os outros, desviando o foco da sua omissão – a famosa tática do avestruz.
    Se a Presidente do Sindicato estivesse comprometida com a ação, e não com o discurso, teria, no mínimo, evitado que os músicos, especialmente os que compõem a Comissão, recebessem uma advertência, por escrito, por meio de Comunicado Oficial da Fundação.
    O papel dos Sindicatos dos Músicos precisa ser revisto com urgência.

  9. Dinilson disse:

    As orquestras onde os sindicatos são mais rigorosos – a ponto de praticamente inviabilizar gravações – são as norte-americanas. País capitalista por excelência. O nível de intervenção dos sindicatos nas orquestras norte-americanas é infinitamente superior ao que acontece no Brasil. Por outro lado, não consigo imaginar uma grande orquestra européia onde a participação do Estado não seja vital – sem ela a orquestra morre. Portanto, antes de discutir um tema afeito à velha guerra fria – comunismo versus capitalismo – é mister reconhecer que sem uma participação decisiva do Estado não haverá boas orquestras em lugar nenhum. Mesmo nos EUA, grandes maestros já confessaram o desgaste que é bajular os endinheirados em busca de patrocínio (sim, porque a renda dos concertos e gravações é insuficiente). Apesar disso, o Dudamel, com a origem estatal que teve, é quem rege uma das “top five” daquele país e não a Alsop… Penso que o modelo de gestão eficiente que o Maestro John Neschling tinha como referência o Plano Diretor de Reforma do Estado (PDRE), implantado pelo ex-Ministro Bresser Pereira. Tal plano tinha por meta implantar um “modelo de gestão voltado aos resultados”. Peça importante nessa mudança eram as Organizações Sociais (OS) que tinham, em tese, um orçamento autônomo: ou seja, viveriam do que arrecadassem (pelo menos em parte). Além disso, as OS deveriam ser mantidas por relação de trabalho mais flexível: CLT (sem estabilidade) ao invés do regime estatutário (no qual a demissão é muito difícil). O salário numa OS também seria mais alto, mais diretamente vinculado ao desempenho. Ora, acho que 99% dos trabalhadores brasileiros irão preferir (pergunte a qualquer estudante universitário) ser estatutário a ser “celetista”. Por que seria diferente com a classe dos músicos? Acho que os músicos agem racionalmente, dada a atual estrutura de incentivos, quando vêm com reservas qualquer mudança no seu regime de trabalho. Por outro lado, segundo penso, o PDRE não chegou a ser efetivado no serviço publico federal. Houve pouca mudança, as que ocorreram foram nos estados que procuraram copiar o PDRE. Na gestão de uma grande orquestra, o ideal seria, na minha opinião, conciliar o incentivo ao esforço sem a ameaça, a pressão e a tensão. Não se trata apenas de: “tocou errado, tá na rua”. Mas sim de promover a motivação e o empenho com recompensas adequadas. Falar é fácil, claro. Na descoberta da fórmula mágica é importante sim, escutar os sindicatos. Como, aliás, é feito em qualquer lugar do mundo, principalmente nos EUA.

  10. Mary-Helen TE disse:

    Para músicos e apreciadores de música orquestral, aconselho a leitura de um livro muito interessante: Becoming an Orchestral Musician – A Guide for Aspiring Professionals, de Richard Davis.

  11. Carlos Veiga Filho disse:

    Olá, quando me referi à Venezuela foi apenas porque todos os projetos sociais apoiados pelo governo são de música erudita (e os resultados são ótimos: jovens regentes e instrumentistas espalhados pelo mundo inteiro). A parte negativa é, obviamente, a imposição natural de toda ditdura. Se é melhor lá ou aqui…
    Com certeza o capitalismo vai conseguir os melhores resultados. Não tenho dúvida disso. Mas que ele é excludente…
    Abração.
    Carlos

  12. luiz benedini disse:

    Lamentavel e incacreditavel o que esta ocorrendo. Espanta-me a solucao adotada. Primeiro, fala-se de “atingir nivel internacional”. O que eh isso? Querem se referir aa Wiener, Berliner, Concertgebouw? Isso a OSB – nem qualquer outra orquestra no Brasil – jamais serah. Importem todos os musicos de qualquer uma dessas orquestras e duas semanas depois jah nao serao os mesmos. O importante eh criarmos nossas proprias tradicoes, nossa propria escola. Mais ha um problema – isso demanda trabalho, atencao constante, experiencia, full time. Impossivel entao? Nada disso, nao temos o exemplo da OSESP? Qual foi o segredo? Simples: competencia, trabalho, determinacao, objetivos, organizacao. E o compromisso intransigente com a qualidade, tao pouco compreendido no nosso pais. Tudo isso falta aa OSB e o bode expiatorio eh sempre o mesmo: os musicos. Que criem um ambiente favoravel para eles, sem ameacas veladas. Plano de demissao voluntaria, com vagas limitadas, o que eh isso? Quer dizer que quem deseja sair precisa de autorizacao ou que querem que apenas alguns saiam? Por que essa guilhotina com data certa? Depois de mais de cinco, CIN CO, anos, resolveram que demissao em massa eh a unica solucao? Pois erraram de novo e nao creio que sejam necessarios outros tantos anos para reconhece-lo. O que a OSB necessita eh uma lideranca estimulante, interessada e musicalmente criativa e os resultados virao. Depois de cinco anos, acho que eh obvio o que tem que mudar.

  13. Luciana disse:

    O que eu acho curioso, repercutindo e colocando mais umas observações sobre o comentário do Benedini aqui, é que, depois de quase seis anos desta tenure, se houvesse realmente competência e dedicação – sem falar em respeito – os resultados deveriam ser A maravilha, e não é tirando o sofá da sala que vai se resolver isso. Ah, não conseguiu fazer a orquestra virar a Berlin Phil? Vamos mudar toda a orquestra (e não trocar o approach, o método, a abordagem, o gerenciamento). É ou não é? A música, a instituição, o público, o conceito da Orquestra deveriam ser mais importantes do que um projeto pessoal que até agora não deu frutos e que piora a situação da nossa cidade. Uma Orquestra não é um objeto manipulável, é um corpo artístico, dinâmico, que representa a excelência de toda uma comunidade. É a ponta do iceberg do que se faz de produtivo em cultura, um “luxo” indispensável porque é metáfora de sofisticação + emoção, transcendência. Por causa disso, uma cidade que tem uma grande orquestra (e uma companhia de ópera e de balé) é respeitada em todos os setores, inclusive economicamente. Quem, dentre os músicos, não quer tocar numa orquestra da qual se orgulhe, e na qual acredite? Numa orquestra que represente a cidade e o país e mostre a competência?

    Outra coisa: além de dedicação, talento e presença (será que existem nesse caso? hum….), um regente deve ter carisma, inteligência (inclusive emocional) e a capacidade de envolver e inspirar seus músicos. [sem mais comentários]

    PS: fechar a quitanda por seis meses e colocar a Orquestra Jovem para tocar no lugar da profissional é FEIO. Como disse alguém, acho que no Facebook, os músicos da OSB passaram por situações extremas ao longo da sua história, ficaram meses sem salário e continuaram tocando, em respeito ao público.

  14. Giselle Goldoni Tiso disse:

    Ressaltando aqui um trecho do comentário anterior: o que me deixa impressionada é que, no Brasil, o rumo das instituições acaba desviado para projetos pessoais, que são colocados acima dos objetivos coletivos. É claro que a natureza humana tem como um de seus componentes a ambição e o orgulho de apresentar resultados com a própria marca. Mas é preciso que isso esteja em sintonia com os objetivos das instituições, e não prevalecer sobre. Se o sujeito não tem a capacidade de levar uma organização um nível acima, e aí sim se orgulhar disso e colher os frutos disso, deve-se repensar – nós, sociedade, e os mecanismos reguladores da instituição em si – se a pessoa é adequada.

    E vamos combinar que cinco anos já foi tempo suficiente para alcançar pelo menos alguma coisa disso.

  15. Luis Carlos Justi disse:

    Prezado Maestro,
    muito interessantes que o Sr. tenha tocado no assunto “estrutura administrativa” , ao qual se dá normalmente muito pouco ou nenhuma atencao. Penso que justamente aí está a raiz do problema. Quanto à OSB, infelizmente me lembra agora o ditado “em casa onde falta o pao, todo mundo briga e ninguém tem razao”. Sao os músicos, a meu ver, os maiores responsáveis pela propria situacao, pois sempre tenderam, de maneira muito simplista, a acreditar que os males vem do maestro. Substituamos os maestros e tudo se acertará! Nao foi assim, na OSB, com Eleazar de Carvalho, Roberto Tibirica, Yeruham Scharovsky? Todo o lado negro do aparato administrativo, que nao se vê e sobre o qual nao se sabe nunca, sempre envolto no mistério das coisas proibidas, passou desapercebido ou nao se quiz percebe-lo. E seguidas comissoes de músicos da OSB conviveram carnalmente com administracoes que estimularam o subreptício!
    Muito mais preocupado estou eu com a OSB Jovem, onde se ensina atualmente a falta de ética, onde se pratica uma manipulacao vergonhosa dos jovens atraves da bolsa de estudos – sabia o Sr. que um jovem que falte a um ensaio para ir a uma aula de instrumento tem descontado de sua bolsa R$150,00 (cento e cinquenta reais)? E que nos meses em que nao há ensaio (por exemplo, janeiro e fevereiro, eles nao recebem a bolsa? Como se eles nao continuassem a estudar e nao tivessem de comer ou pagar aluguel!? Nao é realmente educativo, ou “pedagógico” como a direcao da orquestra gosta de dizer? Nunca vi tanta deformacao! Luis Carlos Justi.

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